3/29/2013

O imaginário das coisas simples

A casa da avó Bela era (e ainda é) um lugar quase mágico onde peças de cantos opostos do mundo conviviam (e ainda convivem) em harmonia.

Lá moram algumas das coisas simples que alimentaram a minha imaginação em criança.

Hoje, adulta, volto a esses lugares e às histórias que em mim e nessas coisas habitam.

E revê-las é reencontrar uma parte de mim.








3/26/2013

Iogurtes caseiros (ou a arte de acordar para a vida)

Há dias, a prendada Cristina ofereceu-nos meia dúzia de iogurtes caseiros que me fizeram repensar o porquê de comprar iogurtes em supermercados.
Andei a ler sobre iogurteiras e gastam em média 5 cêntimos de electricidade por cada leva de iogurtes (a maioria faz 7 de uma vez). Para fazer esta quantidade de iogurtes basta 1 lt de leite gordo (há a 70 cêntimos), o que faz com que 7 iogurtes feitos em casa, de acordo com os NOSSOS padrões de qualidade, fiquem por 75 cêntimos.
Ora, pensem comigo: os iogurtes que compro para a Bel custam em média 2,50 por 4 unidades  (63 cêntimos cada um), sendo que os caseiros saiem a 0.09 cêntimos.
Ou seja, se  a Bel comer um iogurte do supermercado por dia sai-me a 229,95 por ano. Se a Bel comer um iogurte caseiro por dia sai-me a 34,21 por ano. A diferença dá, não só para comprar a iogurteira, como para fazer iogurtes 'à borla' durante pelo menos 4 anos.
I SAW THE LIGHT! Vou a correr comprar uma iogurteira e volto já.



3/25/2013

Gyoza de camarão com sopa de miso e vegetais

Esta é uma receita batoteira, comprei as gyozas já feitas num supermercado japonês mas são tão boas que tinha de partilhar.
Basta cozer a vapor, se tiverem estes cestos de bambu melhor. Caso não tenham também podem ser cozidos em água a ferver. Molhar em molho de soja com umas gotinhas de vinagre de sushi e já está.

Acompanhámos com uma sopa de miso com vegetais:

1- Saltear vegetais a gosto com gengibre picado
2- Juntar água a ferver e uma colher de sopa de miso em pasta por cada tigela de sopa
3- Retificar temperos (Sal, pimenta, etc)
4- Não há 4. Está feita!

Aventurem-se nos supermercados asiáticos. São às centenas pelo nosso país e têm sempre surpresas maravilhosas. As gyozas vêm congeladas. Não compraria as de carne por razões óbvias, mas estas de camarão são mesmo de comer e chorar por mais.

Bom apetite!




3/23/2013

Bread Pudding

Quando a avó Bela e os irmãos ficaram orfãos dos dois pais foram levados para um orfanato em Moçambique. A avó teria uns cinco anos. De uma vida relativamente confortável passaram a andar descalços e rotos, sob a supervisão das freiras mais que frustradas que descarregavam nas crianças as suas vidas mal resolvidas. Mas nem tudo foi mau. Uns tempos depois o advogado do seu pai foi resgatar estes irmãos, e acabaram por ser criados por ele e pela sua mulher, a quem chamavam 'Aunty Rita' (talvez venha daqui a tradição das Ritas na família). Graças a este casal puderam prosseguir os estudos e a minha avó frequentou um colégio inglês que adorou e toda a vida, sempre que podia, falava inglês connosco, fazia os doces típicos no natal e, praticamente todos os domingos, fazia esta receita que aqui partilho: Bread Pudding.
É muito fácil de fazer.

Do que precisam (estas quantidades são para fazer num tabuleiro dos grandes de ir ao forno, dará para umas 12 pessoas... que não comam muito):

3 colheres de chá de manteiga amolecida
18 fatias de pão (pode ser pão de forma, quanto mais fofinho melhor)
Uma chávena de passas
1 1/2 colher de sopa de noz moscada, ralada
6 colheres de sopa de açucar

Para o custard:
6 ovos
3 colheres de sopa de açucar
1 pitada de sal
1 1/2 de chá de essência de baunilha
3 chávenas de leite

1- Unta-se o tabuleiro no fundo e nos lados com a manteiga amolecida;
2- Barram-se as fatias de pão com manteiga, dos dois lados
3- Tapa-se o fundo com uma camada (6 fatias) de fatias de pão; espalham-se passas, uma pitada de noz moscada, e polvilha-se com açucar.
4- Põe-se a 2a camada de pão e repete-se o procedimento.
5- Tapa-se com a última camada de pão, reserva-se e faz-se o custard:

Para o custard:
1- Batem-se bem os ovos, inteiros.
2- Aqueçe-se o leite com açucar e a essência de baunilha.
3- Junta-se os ovos batidos quando o leite estiver morno e mexe-se bem, até que os ingredientes estejam misturados.
4- Espalha-se uniformemente a mistura de leite e ovos em cima do pão e vai ao forno, a 170º / 190º, até estar douradinho (é daquelas sobremesas que se vai espreitando, sem ter um tempo certo).

Enjoy it!




3/22/2013

3/20/2013

Primavera

Primavera! Há quanto tempo... Passou um ano inteiro mas continuas igual.
Dá cá o casaco, as luvas e o cachecol. Entra, senta-te, e põe-te à vontade. A minha casa é tua também.




3/19/2013

Bom dia, pais!


Dos melhores pais, os pais de sempre, pais presentes, pais distantes, pais alegres, pais sizudos, pais altos, pais silêncio, pais mais velhos, pais madalas, pais sorrisos, pais sabidos, pais ternura, pais de colo, pais quentinhos, ou só pais.
Por serem estes pais, todinhos e muitos mais.
Feliz dia. Meus pais.




3/18/2013

Nature's on my side.

2as feiras...
Aqueles dias que existem, só porque sim, sem que se saiba muito bem o que se fazer com eles.

Temos os níveis de energia em modo 'domingo', a motivação em modo 'quero sábado'.

O mundo volta a ser o que era a semana passada.
O céu está no mesmo sítio,
os autocarros retomam os seus horários,
as escolas reabrem as portas,
os blazers saltam dos armários,
a hora de almoço volta a ter duração certa. E o tempo para ver os filhos também.
Ou então não.
Escolher é bom, e poder escolher ainda é melhor.
Porque afinal... regras são boas quando não se cumprem.
E nem na natureza há verdades absolutas.


Courgetes Redondas. Toma!



3/15/2013

The retro cook

Encontrar relíquias como este livro, publicado há quase 50 anos pela Verbo, é o que me faz vibrar com tudo o que seja feiras em 2a mão, de antiguidades, velharias ou vendas de garagem.

Encontrámo-lo numa tarde chuvosa, abrigado entre tantos outros livros e sem ver a luz do dia há décadas. Talvez fosse acabar num contentor de reciclagem se não lhe tivessemos pegado.

É um livro de iniciação à culinária de 1966, ilustrado, e de capa dura.

As receitas são de cair para o lado mas para mim não há nada mais retro que as imagens que aqui vos mostro ou a introdução do livro, a dar as boas-vindas às meninas que começam a aprender a cozinhar.

A minha mãe lembra-se de ter crescido com um livro destes em casa e agora a Bel também vai (e custou 1 euro, dá para acreditar?).








3/13/2013

Plantar em casa

A falta de espaço exterior, de jardins, de terrenos ou galochas, já não é desculpa para quem quer mesmo cultivar em casa. 
Nós usamos a floreira do quarto da Bel para as nossas plantações estivais de manjericão. Mas vamos inovar!

A nossa prima-amiga-leitora Inês Negrão partilhou um truque tirado desta revista que quero experimentar JÁ. Cebolinho fresco todo o ano... parece-me muito bem.

♥  Obrigada Inês!

Partilhem também os vossos truques! Vamos criar um espaço dedicado às 'dicas do leitor'.
Enviem pela nossa página do FB ou para :
receitasdaavobela@gmail.com

Cultivo de cebolinha dentro de casa: 

1. Comprar um maço de cebolinhas verdes;
2. Cortar as folhas para consumo. Guardar o talo com a raiz;
3. Colocar um pouco de água num frasco e acrescentar as cebolas (como mostra a imagem);
4. Deixar o frasco próximo a uma janela onde tenha luz;
5. Em mais ou menos dois dias as folhas começam a brotar e crescer novamente;
6. Deixar crescer até que esteja no ponto de cortar de novo, para usar.
7. Usar sempre uma tesoura para cortar os talos;
8. Ter atenção para repor água sempre que necessário. Não deixar secar.
9. A água vai evaporar e precisa de se manter num nível que cubra as raízes.



3/12/2013

Mercado Agrobio

É mais que rotina, é ritual.
Ir ao mercado agrobio aos Sábados de manhã faz parte da nossa vida como comer e tomar banho.
Lá compramos frutas, legumes, pão, tudo diretamente ao produtor, de forma responsável e sustentável, e por preços equivalentes aos dos grandes supermercados.
Tudo sabe melhor. Seja pela qualidade, pela experiência, ou por os produtos se parecerem com o que são na verdade. Por as maçãs não terem cera, as alfaces trazerem sempre um caracolinho, o alho-francês vir cheio de terra.
Por tudo vir do chão e não ter químicos.
Por as cenouras serem do Algarve e não de Taiwan.
Por o vendedor ser o Sr Vitor e não uma oligarquia anónima que vai aos bolsos de toda a gente incluindo produtores, compradores e empregados.
Por isto tudo e muito mais. E por ser motivo mais que suficiente.

Lista de mercados agrobio:
http://www.agrobio.pt/pt/mercados-agrobio.T194.php

 







3/08/2013

Este dia da mulher...

Para quem não sabe a criação do dia da mulher serviu a muitas campanhas de propaganda política, após nos ter sido gentilmente cedido o direito ao voto, pelos homens.

Eu não gosto do dia da mulher por me soar a palmadinhas nas costas.

'Epá és mulher... must be hard... toma lá uma flor à saída do metro e até para o ano'.

Eu não quero flores por ser mulher.
Nem quero celebrar a minha condição como se vivesse num mundo de igualdade plena entre géneros. Não enquanto houver uma única mulher mutilada, vendida, trocada, queimada, escondida atrás de véus de ignorância e de estupidez.

E também não quero a igualdade. Quero ser igual nas nossas diferenças. Sou diferente dos homens, e gosto. No geral o meu corpo é mais franzino, mais leve e delicado. Há dias no mês em que sou mais emocional do que eles, e outros em que não.
E há alturas na vida em que o meu corpo faz o que jamais corpo masculino algum fará. Gerar, parir, amamentar. São diferenças de celebrar e não de separar.

Eu não quero amostras de cremes.
Não quero ter de ser magra, bonita, maquilhada, depilada. Pelo menos quero poder escolher.
Quero que os meus cabelos brancos tenham tanto charme como os deles.
Quero poder gostar de carros e de futebol. E quero que eles gostem de teatro e de dança. Sem que nada mais seja posto em causa.
E, repito, não quero amostras de cremes.

E quero que as crianças cresçam sem modelagens escondidas.
Quero que a minha filha tenha brinquedos destinados a crianças em vez de brinquedos para rapazes ou raparigas, e que brinquedos intelectualmente estimulantes não sejam exclusivamente brinquedos de rapazes.
Quero que tenha ao seu dispor legos que não sejam cor-de-rosa, quebra-cabeças, jogos científicos, maquetes de montar e desmontar. E que ainda assim possa escolher brincar com bonecos e mudar fraldas e ter aspiradores de plástico, se bem o desejar. Mas que escolha na homogeneidade da oferta. Que possa ser o astronauta em vez da princesa à espera de ser salva.

E não me dêem miniaturas de perfumes.
Nem esperem que mude o meu nome se e quando me casar. Os homens não mudam porquê? Porque ainda há resquícios da mulher passar a ser uma coisa sua, e levar o nome dele como um selo ou símbolo de pertença. Isso eu não quero, mas obrigada.

E as diferenças salariais, de lugares de poder, de mulheres na política e na gestão.
E mais gritantes são as leis da paridade, que amplificam as diferenças e a discriminação ao ponto de ser necessária a criação de legislação para colocar as mulheres em postos de decisão.
Ainda há tanto a fazer... A resolver. A desmistificar. Há muito caminho a percorrer antes de se celebrar seja o que for. Bem sei que caminhamos para lá mas, até que cheguemos..

Não me dêem miniaturas de perfumes...
Guardem as amostras de cremes,
Nem me venham com flores à saída do metro.





3/05/2013

Scotch bonnet... conheces?

Queria apresentar-vos o Scotch Bonnet, este bonito pimentinho vermelho, docinho e suave que fica excelente em saladas, cru ou com molho, às tiras ou inteiro... 
Esperem. Não acreditem em tudo o que digo nem vão já a correr comprá-lo. 

Este 'pimentinho' é, na verdade, dos pimentos mais picantes do mundo e não aconselharia comê-lo picado, com sementes, quanto mais em saladas, às tiras ou com molho :)

O scotch bonnet (ou bonney peppers) encontra-se sobretudo nas Caraíbas e tem um índice de, como chamar-lhe.. picantilidade... que supera quase todos os demais da sua espécie. 

Caso não saibam, existe mesmo uma escala para medir o quão picantes são determinados alimentos. É a escala de Scoville. Enquanto, por exemplo, os jalapeños têm um índice de 'picantilidade' de 2,500 a 8,000 unidades de Scoville, os scotch bonnet podem variar entre 100,000 a 350,000. Conseguem imaginar? Eu consigo. Por experiência própria. E sobrevivi para vos contar a história.

Podem encontrá-los frescos nos mercados de rua, na secção de frutas e legumes exóticos das grandes superfícies ou então já em molho, que é uma delícia. 

Deixo uma foto do molho de scotch bonnet que comprámos há dias no jumbo. Gosto especialmente da advertência no verso do frasco :-)
Espero que provem! Drop by drop.






3/01/2013

Creme de espinafres com aipo

Sabem aqueles truques que usamos desde pequenos para combater as nossas maleitas? 
Cada um tem o(s) seu(s) e defende-o(s) até à morte, como comer chocolate até mais não em caso de desgosto amoroso ou beber chá de limão em situação gripal. 

Seja qual for o segredo a verdade é que resultam. E eu... também tenho o meu. 

É um creme de espinafres com aipo que a minha avó fazia tantas vezes e que só parávamos de comer quando já não havia mais.
Esta sopa acorda em mim uma memória evocativa da infância que desperta um bem-estar quase instantâneo, involuntário e automático.
Levanta-me a moral, o ânimo e os níveis de energia. E esta afirmação é de tal forma verdadeira que, se pudesse, encapsulava esta sopa e tomava 3 vezes por dia, 'just in case'. 

Fica a receita (para + ou - 5 pessoas).

1 molho grande de espinafres (cerca de 700gr)

2 cenuras
1 batata (só uma batata hun? maravilhaaaaaa)
1 nabo
4 talos de aipo
1 cebola
2 dentes de alho 
Água a ferver
Sal q.b.

Nada mais simples:
♥ 1-Lava-se os legumes, descasca-se o que for de descascar, corta-se tudo em pedaços pequenos e coze-se em água a ferver por cerca de 15 minutos.
♥ 2-Antes de passarem com a varinha ou no liquidificador certifiquem-se que não tem água a mais. É melhor juntar depois, se for preciso, do que ficar com uma sopa aguada (queremos um creme, não um caldo). Tritura-se e, depois de tudo triturado e a sopa parecer veludo, põe-se sal a gosto e relaxa-se enquanto se come.