8/30/2013

O dia em que me tornei avó

Foi bonito. Vê-la, sangue do meu sangue, a levar a minha neta de plástico rua acima. Foi comovente ver como já há o instinto. A forma cuidadosa como a colocou no carrinho e a delicadeza com que a empurrava contra protegia das portas.




Ainda que precocemente, dei por mim a fazer castelos no ar sobre esse dia mais que sagrado em que a minha filha vai viver o mesmo que eu vivo desde que Ela nasceu. 
Pus-me a imaginar detalhes, cheiros, risos. 
Como vai ser, onde estaremos, o que vamos sentir. 
Mas esse castelo no ar desmoronou-se subitamente, quando vejo a minha pobre neta de plástico sozinha no carrinho, em alta velocidade rua abaixo, abandonada pela mãe e trocada por um escorrega.
  




8/29/2013

O café que devia ser meu

Este café chama-se Cosmos. Fica na zona de Universitat. Se eu tivesse um café era assim. Tal e qual. Destes sítios onde se descobre sempre qualquer coisa nova. Sem complicações. Sem rocócós. Cheios de arte. Comida boa. Sumos naturais. Instalações. Ardósias. Frasquinhos e Crochés. 
Era assim mesmo. Tal e qual. 


Carrer Enric Granados, 3
08007 Barcelona

tlf: 931 05 79 92

8/28/2013

O homem da música

Foi hippie, concerteza. A barba e as calças à boca de sino não enganam ninguém. Chega com a sua caixa de música colossal atrelada à bicicleta. Senta-se no chão, pernas à chinês. Dá à manivela, cumprimenta-nos, a Bel dança. As pessoas atrasam o passo para ver o show do velho e da bebé. Algumas batem palmas. Ele pára. Acende e fuma um cigaro. 
'Mais!' diz a Bel. 
Ele olha para ela e sorri. Acena com a cabeça, apaga o cigarro, guarda a beata no bolso para mais tarde e o espectáculo recomeça.


8/27/2013

Uma casa lilás

Na vida há coisas que achamos que só acontecem aos outros. 
Pensamos que a probabilidade de nos acontecerem a nós são uma num milhão. 
Viver numa casa lilás é uma delas. E não, não é uma casa lilás por fora. 
Não é uma casa com uma parede lilás. 
Não é uma casa com duas paredes liláses. 
É uma casa, literalmente, lilás da cabeça aos pés, mais propriamente um loft onde diferentes tons desta cor se cruzam em cada esquina. 


Se me dissessem que ia acabar por gostar chamáva-vos loucos. 


Diria que nunca na minha vida me iria sentir confortável numa casa assim. 
Mas a casa, agora... está cheia de nós. 


A nossa casa é como um campo de alfazemas.


Está cheia de luz.


Desta casa vê-se o mundo.


E é uma alegria viver numa casa assim



Gracias Vida!

8/23/2013

Mesmo mesmo aqui ao lado


O urso à entrada do parque

Mesmo ao lado desta casa lilás onde estamos a viver (conto mais detalhes em breve) há tudo o que pedi. Há gente, muita gente, farmácias, mercados, restaurantes, parque infantil. Há vida, sobretudo. Pessoas de toda a parte, mexicanos, indianos, chineses, árabes, cada um na sua vida e com a sua rotina. Ao fim do dia juntam-se todos no parque infantil.  E nunca, mas nunca na minha vida eu vi um parque com mais de 50 crianças às dez da noite a brincar como se fossem três da tarde. As mães descalçam-se, algumas trazem farnel. Muitas já têm 3 e 4 filhos, sentam-se com as outras mães e actualizam histórias, fofocas, riem-se, apontam, ralham com os filhos e voltam a sentar-se e a comer  o que trouxeram. É um ambiente giro, este. A Bel fica na vida dela, anda no escorrega, brinca contente, e fala com todos num idioma universal que só ela conhece.

A foto possível de uma pequena parte das mães e crianças que estão no parque depois das 22h.






Mas o que eu gsto mesmo é das coisas completamente random que encontramos em sítios que não são os nossos. E Barcelona tem disto aos montões. É que se por um lado é uma cidade ultra moderna preparada para receber os mais exigentes visitantes, por outro, basta ires a uma localidade menos turística e encontras sítios que não se veriam nem nas zonas mais rurais de Portugal, como esta loja de internet com cabines privadas (muito Tarantino style, cá para mim).

  

Á parte disto, o mais caricato são e serão sempre as pessoas. Tão diferentes umas das outras, tão características, tão informais, tão estou-me-a-lixar-para-o-que-pensas-se-não-gostas-não-olhes. Disso eu gosto, mesmo mesmo muito. 


 Para terminar, outra coisa que não podia ser melhor e que substitui o nosso mercado agrobio é uma loja que vende produtos da horta, mesmo atrás de nossa casa. Não há programa melhor para fazer com a Bel. Escolher os legumes que vai comer e vir para casa cozinhá-los. Ela adora. Eu também.






 So far so good!


8/19/2013

até já

As malas estão feitas. Dentro de poucas horas voamos para a nova casa.


Continuamos por aqui, a dar notícias boas, a partilhar coisas e sítios, a matar saudades.


Até já, Portugal. Te quiero mucho!

8/18/2013

As bolachas de manteiga mais feias do mundo

A Ju é a minha sobrinha e o primeiro bebé da minha família nuclear.
Foi com ela que aprendi e senti o amor incondicional pela primeira vez, é minha sobrinha, afilhada, amiga, é tudo e mais tantas coisas para as quais ainda não inventaram palavras.

A Ju veio cá a casa e disse:

'Tia, vamos fazer bolachas!'
'Tens muitas bolachas na cozinha Ju'
'Mas fazermos juntas é mais giro, tia'.
'Agora não Ju, tenho malas por fazer, a Bel não pára quieta...'
'Por isso mesmo tia, vamos fazer as bolachas juntas, agora, todas. Vai ser divertido...'

E é. E foi. Passámos as 3 uma grande tarde. E o cheiro das bolachas entranhou-se cá em casa. E juntaram-se tias e sobrinhas e vizinhas e amigas e mais filhas.
E a Ju, no alto dos seus 12 anos, tem sempre razão.





Receita:  500g de farinha sem fermento 
200g de açucar
200g de manteiga
2 ovos

Com a batedeira, misturar bem o açucar com a margarina.
Adicionar os ovos 1 a 1 até obter um creme fofo. 
Juntar a farinha de uma só vez. 
Estender a massa com o rolo de cozinha até ficar +/- com meio cm de espessura. 
Cortar com as formas que quisermos. 
Levar a cozer em forno pré-aquecido cerca de 10/15 min.




8/16/2013

Eva Armisen

É das minhas artistas preferidas. 


Simples. Despretenciosa. Divertida. Sonhadora. Encontrada. 


Eu também quero ser assim. 



Sempre.

8/14/2013

#11


"Tomado com marmelada, é a guloseima desejada"

"Do sangue bom purificador

 para a pele fresca grande factor"



Ediciones AM / Studio Editores, S.L., Coléccion Carlos Velasco


8/12/2013

sevilha

Cidade filme, cenário. Uma história de amor. Um western em três actos. Cowboys contra índios, cristãos e muçulmanos.
Fontes, azulejos, linhas rectas e mais luz. Silêncio. Sossego. Nós os dois. Nós os três.
Ruas imensas, esquinas tortas, passagens estreitas, avenidas largas. Calor. Muito calor. 42 graus à noite. A promessa de uma dança. Touros. Ciganos. Sevilha. Olé!



era uma vez uma diva, #5 (em Sevilha)

Era uma vez uma diva, que era tão diva, tão diva, tão diva que...

Após uma longa e esgotante sessão de degustação de tapas lá assumiu ter gostado das croquetas de jamón. A custo, lá nos fez o obséquio de comer duas, mas só os rabinhos, que são crocantes. O resto fica para vocês.




8/10/2013

Regressar

Este voltar de férias tem cheiro a visita de médico. Em menos de nada vamos viver para Barcelona 4 meses, em duas semanas, mais coisa menos coisa. É desfazer malas e fazer, novamente.
Deixar cá a roupa leve, os vestidos, as sandálias. Levar casacos e calças, já para tamanho dois anos, que vão ser celebrados por lá.
É um regresso quase melancólico, este. Já tenho saudades desta casa, deste mar, destas pessoas.
De ter os avós aqui tão perto e a amiga Maria na porta em frente.
Das pessoas que me são queridas e dos estranhos que já conheço tão bem.
Da rotina do parque ao final da tarde, da segurança da escola e das educadoras.
Mas isto... é uma fórmula que resulta e que está cá à nossa espera, quando voltarmos.

Agora está na hora de inspirar bem fundo, encher o peito de ar, ombros para trás, cabeça erguida.
Há malas por fazer. Há uma nova fase para viver.
Novas pessoas para gostar, uma casa para chamar nossa.

Quero que a minha filha saiba que o mundo é um lugar seguro, que confie sempre na vida e que agradeça e aproveite as oportunidades que ela nos dá.
Que saiba que recebemos o que emitimos e também que saiba e sinta assim porque viu os pais a fazer o mesmo.
E é por isto que estamos prontos. 


8/04/2013

Ser

'Terra chama Rita, terra chama Rita'. É isto que me vem à cabeça, às vezes, quando me deixo afectar por coisas insignificantes. Quando me preocupo com problemas que não são os meus ou com coisas que não posso modificar. Quando vivo nos dias que já passaram ou que ainda estão por vir.
Viver o momento é estar em paz. É estar presente. É ser, simplesmente. 
Vivemos diariamente presos ao passado e agarrados à incerteza do futuro, num vaivém entre um tempo e o outro. 
Não somos. Só estamos. 
Eu quero ser, cada vez mais. Quero ganhar consciência dos truques que a mente tem, olhar para eles e sorrir, e saber que eles fazem parte da minha condição humana mas que não me condicionam. 
Ser, aqui, agora. Viver em pleno e desfrutar a cada dia das bênçãos tão imensas que a vida me dá. 


'Cada dia na vida é um desafio, desafio de mim próprio
Ainda que falhar seja possível, ao viver cada momento estou pronto para qualquer coisa, pronto para tudo.
Estou vivo, eu sou este momento, o meu futuro é aqui e agora.
Se eu não puder aguentar o dia de hoje, então onde e quando poderei?'
Sintra, Autor desconhecido




8/01/2013

Semana Mundial da Amamentação




A amamentação é dos meus tópicos  favoritos. É algo que faz parte da minha/nossa rotina há mais tempo do que planeava, e que me enche de amor.
Hove alturas em que acreditei que amamentar estava a fazer-me mal, que já era demais, que já estava desgastada, cansada, com poucas horas de sono, and so on...
Hoje, 21 meses volvidos, sei que não foi amamentar que me fez sentir assim. 
Amamentar não cansa, não desgasta.
O que desgasta é teres de ser mãe e outras 1001 coisas tão menos importantes ao mesmo tempo.
O que cansa é teres de deixar a tua filha numa creche 8 horas por dia, e sentirem tanto a falta uma da outra que, obviamente, ela se farta de acordar durante a noite (numa tentativa, creio, de colmatar as horas que não passámos durante o dia) para mamar.
E isto é que é demais. Viver num mundo à pressa, onde mães vão parir num dia e, 3/6 meses depois, voltam à rotina que tinham antes, quase sempre contariadas, quase sempre cheias de culpa, quase sempre com uma voz que lhes diz lá dentro (isto não pode estar certo).
Amamentar não cansa, não.
Amamentar não é feio, não é sexual, não devia ser banido em tantos lados nem ninguém devia julgar uma mulher que alimenta o seu filho.
O mais curioso é que as vozes que criticam, que contrariam, que julgam e dizem ser demais, por exemplo, fotos de mulheres a amamentar na web, são precisamente outras mulheres, na sua maioria mães.
Vá-se lá perceber este mundo.
Eu já estou feliz por ter percebido que não é amamentar que me cansa.
E, aos poucos, dedico-me só ao que me faz feliz.