Eu tentei. Falei-lhe do carnaval e do que se faz nesta época. Da alegria dos disfarces e da oportunidade única de sermos outra coisa qualquer, uma vez por ano.
Mostrei-lhe um disfarce de Frida Khalo, ela disse que sim. Comprei as flores para o cabelo, passei a ferro uma saia colorida e dobrei um lenço para lhe pôr aos ombros. Imaginei-a linda de morrer, toda mexicana com aqueles olhos pestanudos e colares gigantes.
Como plano B tinha uma capa de joaninha para pôr às costas, era só vesti-la de preto e pintar-lhe a cara, caso algo acontecesse com a Frida. Nada podia correr mal, afinal uma mãe prevenida vale por quinhentas.
O dia chegou. Bom dia alegria, hoje é carnaval! Vamos ser a Frida?
Não.
Mas.. tu gostaste tanto... olha que divertido, quanta cor... Os fios de missangas!
Não.
E joaninha? Sabes, o bichinho fofinho que vimos lá no parque? Queres ser uma joaninha não é?
Não.
Oh Bel, vá lá. Olha a mãe a fazer a dança! 'Joaninha voa voa que o teu pai vai para lisboa'. Que giro não é?!
Não.
Então? Queres ser um índio?
Não.
A Pepa pig?
Não.
Um ovo kinder?
Não.
Então? De que te queres mascarar tu?
De Bel.
Como é que não previ isto? Que inocência a minha...
Diva que é diva não desperdiça uma oportunidade para ser ela própria.
2/28/2014
2/23/2014
quem não tem cão, planta com gato
Já tinha formulado aqui alguns dos meus desejos (ou deverei dizer decisões?) para este ano.
A parte de não comer carne comecei hoje.
O doutoramento anda sobre rodas e mais mês menos mês digo-lhe: acabei(-te). A parte do bebé ainda vai esperar mais algum tempo mas a horta começou a semana passada, aos pouquinhos.
Sim, vivemos num prédio, não, não temos terraço, mas temos uma varanda ultra solarenga que me parece que se vai tornar no mais bonito jardim que esta cidade já viu. Começamos passo-a-passo, que somos novos nestas andanças. Dois vasos de flores e um de menta (que a Bel diz que é ela, e as flores são os pais).
Na próxima semana planeamos comprar vasos bem grandes e plantar ervas de cheiro. Depois um tomateiro. A seguir morangos. E qualquer dia, vocês chegam aqui e já estou a distribuir legumes.
A parte de não comer carne comecei hoje.
O doutoramento anda sobre rodas e mais mês menos mês digo-lhe: acabei(-te). A parte do bebé ainda vai esperar mais algum tempo mas a horta começou a semana passada, aos pouquinhos.
Sim, vivemos num prédio, não, não temos terraço, mas temos uma varanda ultra solarenga que me parece que se vai tornar no mais bonito jardim que esta cidade já viu. Começamos passo-a-passo, que somos novos nestas andanças. Dois vasos de flores e um de menta (que a Bel diz que é ela, e as flores são os pais).
Na próxima semana planeamos comprar vasos bem grandes e plantar ervas de cheiro. Depois um tomateiro. A seguir morangos. E qualquer dia, vocês chegam aqui e já estou a distribuir legumes.
2/20/2014
SENTENÇAS DELIRANTES DUM POETA PARA SI PRÓPRIO EM TEMPO DE CABEÇAS PENSANTES
1
Não te ataques com os atacadores dos outros.
Não te ataques com os atacadores dos outros.
Deixa a cada sapato a sua marcha e a sua direcção.
O mesmo deves fazer com os açaimos.
O mesmo deves fazer com os açaimos.
E com os botões.
2
Não te candidates, nem te demitas. Assiste.
Mas não penses que vais rir impunemente a sessão inteira.
Em todo o caso fica o mais perto possível da coxia.
Não te candidates, nem te demitas. Assiste.
Mas não penses que vais rir impunemente a sessão inteira.
Em todo o caso fica o mais perto possível da coxia.
3
Tira as rodas ao peixe congelado,
mas sempre na tua mão.
Tira as rodas ao peixe congelado,
mas sempre na tua mão.
Depois, faz um berreiro.
Quando tiveres bastante gente à tua volta,
descongela a posta e oferece um bocado a cada um.
Quando tiveres bastante gente à tua volta,
descongela a posta e oferece um bocado a cada um.
4
Não te arrimes tanto à ideia de que haverá sempre
um caixote com serradura à tua espera.
Pode haver. Se houver, melhor...
Não te arrimes tanto à ideia de que haverá sempre
um caixote com serradura à tua espera.
Pode haver. Se houver, melhor...
Esta deve ser a tua filosofia.
5
Tudo tem os seus trâmites, meu filho!
Não faças brincos de cerejas
sem te darem, primeiro, as orelhas.
Tudo tem os seus trâmites, meu filho!
Não faças brincos de cerejas
sem te darem, primeiro, as orelhas.
Era bom que esta fosse, de facto, a tua filosofia.
6
Perguntas-me o que deves fazer com a pedra que
te puseram em cima da cabeça?
Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.
Perguntas-me o que deves fazer com a pedra que
te puseram em cima da cabeça?
Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.
É provável que te sintas logo muito melhor.
Sai, então, de baixo da pedra.
7
Onde houver obras públicas não deponhas a tua obra.
Poderias atrapalhar os trabalhos.
Os de pedra sobre pedra, entenda-se.
Onde houver obras públicas não deponhas a tua obra.
Poderias atrapalhar os trabalhos.
Os de pedra sobre pedra, entenda-se.
Mas dá sempre um «Bom dia!» ao pessoal do estaleiro.
Uma palavra é, às vezes, a melhor argamassa.
Uma palavra é, às vezes, a melhor argamassa.
8
Deves praticar os jogos de palavras, mas sempre
com a modéstia do cientista que enxertou em si mesmo
a perna da rã, e que enquanto não coaxa, coxeia.
Oxalá o consigas!
Deves praticar os jogos de palavras, mas sempre
com a modéstia do cientista que enxertou em si mesmo
a perna da rã, e que enquanto não coaxa, coxeia.
Oxalá o consigas!
9
Tens um glorioso passado futurível,
mas não fiques de colher suspensa,
que a sopa arrefece.
Tens um glorioso passado futurível,
mas não fiques de colher suspensa,
que a sopa arrefece.
10
Se tiveres de arranjar um nome para uma personagem
de tua criação, nunca escolhas o de Fradique Mendes.
A criação literária não frequenta o guarda-roupa,
muito menos quando a roupa tem gente dentro.
Se tiveres de arranjar um nome para uma personagem
de tua criação, nunca escolhas o de Fradique Mendes.
A criação literária não frequenta o guarda-roupa,
muito menos quando a roupa tem gente dentro.
11
Resume todas estas sentenças delirantes numa única
sentença:
Um escritor deve poder mostrar sempre a língua portuguesa.
de Poesias CompletasResume todas estas sentenças delirantes numa única
sentença:
Um escritor deve poder mostrar sempre a língua portuguesa.
Alexandre O'Neill,
in "Poesias Completas 1951/1986"
2/17/2014
Dentro de um ovo kinder.
Hoje foi um dia daqueles, cheio até mais não. Entre muitas coisas boas, comprei-lhe um ovo kinder que trazia lá dentro uma Bela Adormecida, a princesa disney da minha infância.
Só aqui entre nós a minha relação com a Bela Adormecida chegava a ter laivos obsessivo-compulsivos. Lembro-me perfeitamente de que todas as vezes que a minha avó ia comigo ao clube de vídeo era esse o filme que trazia. Vi-o mais de cem vezes (ou pelo menos tenho essa ideia). Ainda me lembro de passagens, diálogos e sei as canções de trás para a frente. Lembro-me de achar que a Malévola podia estar escondida dentro da banheira lá de casa e de rir até mais não com a fada gorda. E dei por mim, sem ninguém ver, no site da Amazon a procurar o dvd versão brasileira, que era a que havia em Portugal. Não sei até que ponto este reencontro inesperado não vai trazer graves consequências para as dinâmicas familiares e para o meu auto-conceito, com tanto filme intelecto-cultural que se anda a fazer por aí. A ver...
Só aqui entre nós a minha relação com a Bela Adormecida chegava a ter laivos obsessivo-compulsivos. Lembro-me perfeitamente de que todas as vezes que a minha avó ia comigo ao clube de vídeo era esse o filme que trazia. Vi-o mais de cem vezes (ou pelo menos tenho essa ideia). Ainda me lembro de passagens, diálogos e sei as canções de trás para a frente. Lembro-me de achar que a Malévola podia estar escondida dentro da banheira lá de casa e de rir até mais não com a fada gorda. E dei por mim, sem ninguém ver, no site da Amazon a procurar o dvd versão brasileira, que era a que havia em Portugal. Não sei até que ponto este reencontro inesperado não vai trazer graves consequências para as dinâmicas familiares e para o meu auto-conceito, com tanto filme intelecto-cultural que se anda a fazer por aí. A ver...
2/16/2014
Era uma vez uma diva, #11
Era uma vez uma diva, que era tão diva, tão diva, tão diva, que...
Descontente com o facto de haver canções infantis dedicadas a outras crianças deste mundo, trauteia convicta um 'Olha a Bola Bel', em vez de 'Olha a Bola Manel'.
Diva que é diva está em toda a parte.
Descontente com o facto de haver canções infantis dedicadas a outras crianças deste mundo, trauteia convicta um 'Olha a Bola Bel', em vez de 'Olha a Bola Manel'.
Diva que é diva está em toda a parte.
2/13/2014
Meio caminho andado para a felicidade
Depois de dois anos e tal de experimentação e tentativa-e-erro, a lutar contra o cansaço e à procura de fórmulas mágicas para me revitalizar após cada noite com um novo ser humano em nossa casa, cá vai a fórmula mágica:
Ir para a cama à mesma hora que ela. Deitar-me às nove e meia da noite e acordar a cada manhã com o sorriso de vingança de quem acaba de regressar de uma semana e meia de férias numa ilha grega em regime de pensão completa. Ámen.
Ir para a cama à mesma hora que ela. Deitar-me às nove e meia da noite e acordar a cada manhã com o sorriso de vingança de quem acaba de regressar de uma semana e meia de férias numa ilha grega em regime de pensão completa. Ámen.
2/10/2014
Rolos vietnamitas de camarão
Há tanto tempo que já não tínhamos receitas por aqui! Com todas estas mudanças não andámos com muito tempo nem disponibilidade para grandes receitas mas...
No dia do ano novo chinês apeteceu-nos celebrar com uma refeição caseira oriental.
Encontrámos folhas de massa de arroz à venda (usadas para fazer os crepes chineses) e aventurámo-nos. Existem em vários supermercados e vendem-se secas ou congeladas (usámos as secas).
Como não somos fãs de fritos, cozemos as folhas em água a ferver (super rápido, é só imergir uns 10 segundos até ficarem moles) e depois recheámos com cenoura ralada, milho, alface às tiras e camarão cozido). Acompanhámos com molho agridoce (mas foi de compra, mea culpa mea culpa, mas ao menos já sabem que não ando a tirar fotos a molhos de compra em taças bonitas e a dizer que fui eu que fiz).
Se experimentarem a receita, ajuda muito ter os dedos molhados quando estiverem a enrolar a massa, para que não fique pegajosa.
Um jantar diferente, bom, e muito saudável. Como se quer.
No dia do ano novo chinês apeteceu-nos celebrar com uma refeição caseira oriental.
Encontrámos folhas de massa de arroz à venda (usadas para fazer os crepes chineses) e aventurámo-nos. Existem em vários supermercados e vendem-se secas ou congeladas (usámos as secas).
Como não somos fãs de fritos, cozemos as folhas em água a ferver (super rápido, é só imergir uns 10 segundos até ficarem moles) e depois recheámos com cenoura ralada, milho, alface às tiras e camarão cozido). Acompanhámos com molho agridoce (mas foi de compra, mea culpa mea culpa, mas ao menos já sabem que não ando a tirar fotos a molhos de compra em taças bonitas e a dizer que fui eu que fiz).
Se experimentarem a receita, ajuda muito ter os dedos molhados quando estiverem a enrolar a massa, para que não fique pegajosa.
Um jantar diferente, bom, e muito saudável. Como se quer.
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Eat
2/07/2014
O sítio onde eu trabalho
O campus da universidade onde estou agora é diferente de tudo o que já vi.
É no alto de uma montanha, verde a perder de vista, árvores, silêncio e flores.
Mesmo em frente de um dos edifícios onde há aulas, há uma residência de estudantes e uma residência de idosos. Lado a lado. Dentro do recinto universitário.
No pátio do recreio, jovens, adultos e velhotes sentam-se nos mesmos bancos, vão ao mesmo café, partilham histórias e croquetas de jamón e passeiam devagar pelos caminhos. Neste campus as pessoas conversam entre si, passam tempo juntas, aprendem umas com as outras. E isto ajuda-nos a sair de nós, a perceber que o mundo real vai muito além das nossas rotinas e das nossas verdades. Para os miúdos que estão a estudar, o contacto com estas pessoas mais velhas dá equilíbrio, fortalece laços, trá-los de volta à terra.
Estar em contacto permanente com jovens, para estes idosos, é perceber que a vida continua e que se renova e que não estão sós. Integração também é isto.
Eu nunca tinha visto nada igual. É um sítio lindo. Dos mais lindos que já vi. E eu sinto-me muito abençoada por poder estar aqui.
É no alto de uma montanha, verde a perder de vista, árvores, silêncio e flores.
Mesmo em frente de um dos edifícios onde há aulas, há uma residência de estudantes e uma residência de idosos. Lado a lado. Dentro do recinto universitário.
No pátio do recreio, jovens, adultos e velhotes sentam-se nos mesmos bancos, vão ao mesmo café, partilham histórias e croquetas de jamón e passeiam devagar pelos caminhos. Neste campus as pessoas conversam entre si, passam tempo juntas, aprendem umas com as outras. E isto ajuda-nos a sair de nós, a perceber que o mundo real vai muito além das nossas rotinas e das nossas verdades. Para os miúdos que estão a estudar, o contacto com estas pessoas mais velhas dá equilíbrio, fortalece laços, trá-los de volta à terra.
Estar em contacto permanente com jovens, para estes idosos, é perceber que a vida continua e que se renova e que não estão sós. Integração também é isto.
Eu nunca tinha visto nada igual. É um sítio lindo. Dos mais lindos que já vi. E eu sinto-me muito abençoada por poder estar aqui.
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work
2/06/2014
2/04/2014
You are beautiful!
No espelho, no frigorífico, no guardanapo, dentro da carteira.
Mensagens que vão aparecendo, para mim, para ele, para ela.
Tem um bom dia, you are beautiful, amo-te tanto, amo-me tanto.
Ela não sabe ler, é verdade, mas quando vê estas mensagens sorri. E quando isso acontece eu podia jurar que percebe cada letra.
Mensagens que vão aparecendo, para mim, para ele, para ela.
Tem um bom dia, you are beautiful, amo-te tanto, amo-me tanto.
Ela não sabe ler, é verdade, mas quando vê estas mensagens sorri. E quando isso acontece eu podia jurar que percebe cada letra.
tendes noção?!
Tendes noção de quanto me custa a bilicleta anualmente? Cerca de 150€ (por estar num parque).
Se só andasse de metro gastaria 600€ por ano (50€ x 12€) e se andasse de carro nem sei em quanto ficaria...
...A sério, às vezes pergunto-me onde é que andei com a cabeça estes anos todos...
E depois não é só o dinheiro e a poluição que se poupa....
... é que não há nada neste mundo que se compare a descer uma rampa íngreme às 8h30 da manhã, de olhos fechados com o vento na cara e os pés fora dos pedais, como quando tinha sete anos.
Se só andasse de metro gastaria 600€ por ano (50€ x 12€) e se andasse de carro nem sei em quanto ficaria...
...A sério, às vezes pergunto-me onde é que andei com a cabeça estes anos todos...
E depois não é só o dinheiro e a poluição que se poupa....
... é que não há nada neste mundo que se compare a descer uma rampa íngreme às 8h30 da manhã, de olhos fechados com o vento na cara e os pés fora dos pedais, como quando tinha sete anos.
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