quando o professor termina o relatório de avaliação com a frase "té un món interior molt bonic".
<3
3/25/2015
3/23/2015
sim
Ter tudo acabado, pronto e entregue. A casa arrumada, a roupa passada, a comida feita. A tese escrita, revista, impressa, oficialmente entregue e com defesa marcada. Ter as decisões tomadas, as malas feitas, a porta fechada. A vida em ordem. Despedidas em dia. Tudo no sítio. Só que não.
3/20/2015
El Estudantil
É mais um café do que um restaurante. Fica em frente ao sítio onde trabalho e não deve nada à beleza. Não sei se é das mesas velhas, se das cadeiras de metal a abanar, se das paredes lilás ou se é da slot machine. Há qualquer coisa neste sítio, ou será talvez o conjunto de todas estas coisas, que o tornam num lugar feio. Mesmo feio.
E depois enche-se de universitários e dos senhores dos autocarros que param na estação da rua atrás. As pessoas falam alto e riem alto e pedem alto e há pouca paz. E isto é o melhor que pode haver quando passamos os dias enfiados em bibliotecas - é que é mesmo!
El Estudantil é explorado por um casal chinês que não percebe nada do que lhes digo, eles com o seu chino-catalão e eu com o meu Portinhol.
Mas sabem sempre para onde o meu dedo aponta e nunca me falharam um pedido. Gosto de cá vir. Ele tem as unhas meio compridas e deixa sempre um chá de limão pousado na banca, que vai bebendo ao longo do dia. Gosta de usar cinzento e é ele quem cozinha. Ela atende as pessoas, usa o cabelo pelo queixo com uma franja, nuns dias está bem disposta e noutros não. Fica contente quando lhe levo a chávena do café vazia ao balcão e tem a foto de um bebé colada na parede atrás a máquina registadora. Ela não sabe, mas eu já a apanhei muitas vezes a sorrir saudosa ao bebé da foto enquanto faz o troco aos clientes, e sempre que isto acontece eu saio de lá comovida.
Se eu vou antes do meio dia apanho-os a almoçar iguarias jamais vistas. Ás vezes são sopas esquisitas, outras vezes peixes com folhas, sempre escondidos e encolhidos atrás do balcão para que os clientes não vejam. Se eu for depois das 5 vejo as filhas gémeas a ajudar e a fazer os trabalhos de casa, entre um bocadillo e uma fanta, que o serviço não para.
Se for à hora de almoço como um prato cheio de noodles feitos por ele na hora, e por 3.5€ fico feliz para sempre até ser hora de jantar.
Eu gosto é destes sítos, feitos de gente, que dão pão e segurança a quem lá trabalha. São sítios reais, que suportam a vida. Fazem-me sentido.
Há anos que não entro num McDonals e não me lembro da última vez que bebi um starbucks.
Salvam-me estes lugares que vou encontrando.
E depois enche-se de universitários e dos senhores dos autocarros que param na estação da rua atrás. As pessoas falam alto e riem alto e pedem alto e há pouca paz. E isto é o melhor que pode haver quando passamos os dias enfiados em bibliotecas - é que é mesmo!
El Estudantil é explorado por um casal chinês que não percebe nada do que lhes digo, eles com o seu chino-catalão e eu com o meu Portinhol.
Mas sabem sempre para onde o meu dedo aponta e nunca me falharam um pedido. Gosto de cá vir. Ele tem as unhas meio compridas e deixa sempre um chá de limão pousado na banca, que vai bebendo ao longo do dia. Gosta de usar cinzento e é ele quem cozinha. Ela atende as pessoas, usa o cabelo pelo queixo com uma franja, nuns dias está bem disposta e noutros não. Fica contente quando lhe levo a chávena do café vazia ao balcão e tem a foto de um bebé colada na parede atrás a máquina registadora. Ela não sabe, mas eu já a apanhei muitas vezes a sorrir saudosa ao bebé da foto enquanto faz o troco aos clientes, e sempre que isto acontece eu saio de lá comovida.
Se eu vou antes do meio dia apanho-os a almoçar iguarias jamais vistas. Ás vezes são sopas esquisitas, outras vezes peixes com folhas, sempre escondidos e encolhidos atrás do balcão para que os clientes não vejam. Se eu for depois das 5 vejo as filhas gémeas a ajudar e a fazer os trabalhos de casa, entre um bocadillo e uma fanta, que o serviço não para.
Se for à hora de almoço como um prato cheio de noodles feitos por ele na hora, e por 3.5€ fico feliz para sempre até ser hora de jantar.
Eu gosto é destes sítos, feitos de gente, que dão pão e segurança a quem lá trabalha. São sítios reais, que suportam a vida. Fazem-me sentido.
Há anos que não entro num McDonals e não me lembro da última vez que bebi um starbucks.
Salvam-me estes lugares que vou encontrando.
3/15/2015
dessas coisas da beleza.
Faz-me impressão o eterno debate sobre a beleza, as mudanças do corpo, as estrias, a gravidade, os anúncios da dove, o aceitar dos cabelos brancos, pintar ou não pintar, esticar a pele ou não.
E também me dá calafrios o afirmar, em tons de verdade absoluta, que afinal as mais belas são as mulheres que não ligam ao físico, as que não mexem em nada, as que abraçam as marcas da idade e ignoram os anúncios das revistas. De igual forma que gosto pouco de ouvir que, contrariamente, são antes mais válidas e reais as que se depilam e se operam até morrer, as fashion victims, "as que não se acomodam e fazem por ser felizes".
Interessa-me zero o que cada uma faz com o seu corpo.
É-me igual que ponhas silicone ou extensões. É para o lado que eu durmo melhor se não tiras os pelos dos suvacos e adoras as tuas curvas. Numa facção ou noutra, este debate é e continuará a ser infrutífero até que se perceba que a beleza é mais do que está por fora. Uma mulher é bela por aquilo que emite, e aquilo que emite vem única e exclusivamente de dentro.
E isto é bem mais do que um cliché.
Com plásticas ou sem elas, vale de pouco o que está por fora quando não se aprimora o SER que escolhemos para nós. E isto acontece quando dos nos amamos e valorizamos para além do que se vê no espelho. Quando honramos a nossa história pessoal, reconhecemos a nossa evolução e traçamos planos para continuar a progredir. Quando escolhemos largar o medo e a culpa. Isto é beleza. Isto é força. Não somos só um corpo. Não somos só mulheres. Somos humanos que vivem com um propósito, e é bom que nos comecemos a perguntar o que podemos fazer pelo mundo para o deixar um pouco melhor. Acho que é por isto que nos vão recordar mais tarde.
E também me dá calafrios o afirmar, em tons de verdade absoluta, que afinal as mais belas são as mulheres que não ligam ao físico, as que não mexem em nada, as que abraçam as marcas da idade e ignoram os anúncios das revistas. De igual forma que gosto pouco de ouvir que, contrariamente, são antes mais válidas e reais as que se depilam e se operam até morrer, as fashion victims, "as que não se acomodam e fazem por ser felizes".
Interessa-me zero o que cada uma faz com o seu corpo.
É-me igual que ponhas silicone ou extensões. É para o lado que eu durmo melhor se não tiras os pelos dos suvacos e adoras as tuas curvas. Numa facção ou noutra, este debate é e continuará a ser infrutífero até que se perceba que a beleza é mais do que está por fora. Uma mulher é bela por aquilo que emite, e aquilo que emite vem única e exclusivamente de dentro.
E isto é bem mais do que um cliché.
Com plásticas ou sem elas, vale de pouco o que está por fora quando não se aprimora o SER que escolhemos para nós. E isto acontece quando dos nos amamos e valorizamos para além do que se vê no espelho. Quando honramos a nossa história pessoal, reconhecemos a nossa evolução e traçamos planos para continuar a progredir. Quando escolhemos largar o medo e a culpa. Isto é beleza. Isto é força. Não somos só um corpo. Não somos só mulheres. Somos humanos que vivem com um propósito, e é bom que nos comecemos a perguntar o que podemos fazer pelo mundo para o deixar um pouco melhor. Acho que é por isto que nos vão recordar mais tarde.
3/13/2015
(receita de Vinícius) Para viver um grande amor
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há de fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas na florista
Muito mais, muito mais que na modista
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?
Para viver um grande amor, é muito
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há de ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor!
https://www.youtube.com/watch?v=lJGA38IPXY8
3/11/2015
Fada dos dentes, aos 3 anos
Há uns dias a minha pobre filha entalou o dedo mindinho da mão direita numa porta da escola. A pobre veio com o dedo em sangue, todos preocupados, "luego la corrí en brazos, que lloraba" - (e era para menos?), ela fora de si, que foi só a segunda vez em 3 curtos anos de vida que viu o seu próprio sangue.
Eu para estas coisas supreendo-me. Não fico nada abananada nem sou a típica mãe que vai a correr para as urgências.
Dói muito?
Sim
Queres ir ao médico?
Não
Então não vamos.
E não fomos. Fiquei vigilante estes dias todos, água oxigenada de quando em vez e esperar que a natureza faça o resto. E fez. Hoje vinha a desgraçada com a unha pendurada, quase a cair. Bel em pânico, eu sem saber muito bem o que fazer que nunca me caiu uma unha na vida.
E depois ver um dedinho miniatura com uma unha decrépita a dar-a-dar e aquela pele toda lá por trás sem saber bem qual o seu lugar no mundo... epá... não é bonito.
De maneira que tive de arranjar qualquer coisa para tornar a situação menos dramática.
Lembrei-me de partes do corpo que caiem e, quando o fazem, tornam as crianças mais felizes: os dentes.
Por sorte há um episódio da peppa pig em que vem a fada dos dentes, com uma varinha e uma moeda, e leva o dente que a Peppa até lavou antes de colocar por baixo da almofada (e que a Bel já viz 500 vezes).
Lembrei-lhe do filme, e disse que a fada tinha uma irmã, a fada das unhas, que adorava unhas caídas e que se então ela concordasse íamos ficar as duas muito felizes pela sorte que foi ter entalado o dedo e a unha estar mesmo mesmo a cair e assim que acontecesse íamos direitinhas pôr a dita debaixo da almofada.
Assim fizemos. Ao jantar olhei-lhe para a mão e a unha já não estava. Ela nem reparou. Era ver-me de rabo para o ar por todos os cantos da casa à procura de uma mini unha de um mini dedo mindinho. Encontrei-a ao lado da plasticina, na mesinha das actividades. Agora jaz por baixo da almofada, e a Bel dorme segura e serena na esperança de acordar e encontrar, no lugar da unha, uma moeda reluzente para ir comprar um ovo kinder, provavelmente na esperança que também lhe caia um dente.
3/10/2015
Mãe, quem é o Deus?
Vem aí a Semana Santa, vai ter férias, e eu tive de explicar porquê.
O que é a Páscoa, quem era Jesus, Maria, os coelhos, os apóstolos e os ovos de chocolate. Começa-se uma conversa de duas frases com uma criança de 3 anos e acaba-se 10 minutos mais tarde, depois de se ter dado voltas aos confins da memória e viajado aos primórdios dos tempos.
Para pessoas não religiosas fica ainda mais complicado explicar estas histórias, pelo menos sem passar uma visão parcial.
Mas teve de ser.
Encher o peito de ar e dizer-lhe então que sim, que Jesus era um senhor muito boniiiiiiiito que dizem que era muito boooom, e que ajudava os doentes e que dava pão e que andava sobre a água.
E sim, que era filho de Maria que teve Jesus nas palhinhas e que o seu papel na história começa e acaba mais ou menos aí (a insignificância das mulheres na religião mata-me), e que Maria teve o filho sem pedir a ninguém e que quem enviou Jesus desta vez não foi a cegonha, não senhor que isso é no Dumbo, aqui foi Deus.
"Mas quem é Deus?".
Bom, isto já é outra conversa.
Deus é outro senhor que vive lá em cima numa nuvem e é amigo das crianças e tem umas barbas muito compriiiiiiiiidas, e que não, não é o pai natal (concentra-te lá que a história é outra). Deus foi pai de Jesus e foi ele que fez o mundo, tudo o que existe.
- Tudo? Tudo o quê?
-Então, dizem que fez o céu, a terra, as flores, as pessoas, os animais, a amizade, o amor.
-E os rabos também?
-Pois claro, os rabos também.
(adoro esta miúda).
O que é a Páscoa, quem era Jesus, Maria, os coelhos, os apóstolos e os ovos de chocolate. Começa-se uma conversa de duas frases com uma criança de 3 anos e acaba-se 10 minutos mais tarde, depois de se ter dado voltas aos confins da memória e viajado aos primórdios dos tempos.
Para pessoas não religiosas fica ainda mais complicado explicar estas histórias, pelo menos sem passar uma visão parcial.
Mas teve de ser.
Encher o peito de ar e dizer-lhe então que sim, que Jesus era um senhor muito boniiiiiiiito que dizem que era muito boooom, e que ajudava os doentes e que dava pão e que andava sobre a água.
E sim, que era filho de Maria que teve Jesus nas palhinhas e que o seu papel na história começa e acaba mais ou menos aí (a insignificância das mulheres na religião mata-me), e que Maria teve o filho sem pedir a ninguém e que quem enviou Jesus desta vez não foi a cegonha, não senhor que isso é no Dumbo, aqui foi Deus.
"Mas quem é Deus?".
Bom, isto já é outra conversa.
Deus é outro senhor que vive lá em cima numa nuvem e é amigo das crianças e tem umas barbas muito compriiiiiiiiidas, e que não, não é o pai natal (concentra-te lá que a história é outra). Deus foi pai de Jesus e foi ele que fez o mundo, tudo o que existe.
- Tudo? Tudo o quê?
-Então, dizem que fez o céu, a terra, as flores, as pessoas, os animais, a amizade, o amor.
-E os rabos também?
-Pois claro, os rabos também.
(adoro esta miúda).
3/04/2015
Discussão de casal
- Tu por acaso tens ideia da pressão que é estar a acabar de escrever uma tese de doutoramento?
- Tu por acaso tens ideia da pressão que é viver com uma pessoa que está acabar de escrever uma tese de doutoramento?
Al-1 Rita-0
- Tu por acaso tens ideia da pressão que é viver com uma pessoa que está acabar de escrever uma tese de doutoramento?
Al-1 Rita-0
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