5/15/2015
5/12/2015
Sophie Calle - Take 2
Pessoas cegas, que nunca viram. Perguntou-lhes: o que é a beleza para ti? Retrata-me uma coisa verdadeiramente bela.
As respostas foram incríveis. A Nossa Senhora, os cabelos da minha mãe, as estrelas do céu, entre tantas outras.

A minha preferida foi a deste rapaz. A coisa mais bela que ele já viu foi o verde.
"O verde é lindo. Porque sempre que eu gosto de alguma coisa, dizem-me que essa coisa é verde. A erva é verde, as árvores, as folhas, a natureza... Eu adoro vestir-me de verde."
As respostas foram incríveis. A Nossa Senhora, os cabelos da minha mãe, as estrelas do céu, entre tantas outras.
A minha preferida foi a deste rapaz. A coisa mais bela que ele já viu foi o verde.
"O verde é lindo. Porque sempre que eu gosto de alguma coisa, dizem-me que essa coisa é verde. A erva é verde, as árvores, as folhas, a natureza... Eu adoro vestir-me de verde."
5/11/2015
Sophie Calle - Take 1.
É uma artista que está com uma exposição arrebatadora aqui em Barcelona. E o adjectivo que usei não lhe faz justiça. De uma profundidade inexplicável, tocou em partes de mim que eu não sabia que existiam. Vamos por partes. Hoje mostro um bocadinho, amanhã outro, depois outro. Sentem-se e saboreiem, sem pressas.
Parte 1 -Voir la mere. Filmes de vários cidadãos de Istambul, cidade rodeada de mar, que nunca o tinham visto antes. Uma sala com quatro paredes onde as experiências de quatro pessoas eram projectadas. O som do mar ao fundo. As pessoas de costas para a câmara e de frente para ele. Encolher os ombros, limpar os olhos, chorar. Expressões que só se podiam adivinhar. Era o mar. Pela primeira vez, era o mar.



Parte 1 -Voir la mere. Filmes de vários cidadãos de Istambul, cidade rodeada de mar, que nunca o tinham visto antes. Uma sala com quatro paredes onde as experiências de quatro pessoas eram projectadas. O som do mar ao fundo. As pessoas de costas para a câmara e de frente para ele. Encolher os ombros, limpar os olhos, chorar. Expressões que só se podiam adivinhar. Era o mar. Pela primeira vez, era o mar.



5/06/2015
Lições
Aprendi, há dias, que não faz mal dizer "não" a oportunidades boas se o teu coração te pede outras coisas. Segui o coração e o resto veio atrás. A vida não castiga, a vida ouve exactamente o que pedimos e responde ao que precisamos. Eu queria, acima de tudo, ter tempo para a minha família. Manter os amigos, o país, a rotina, a estabilidade dela. Queria um trabalho que me permitisse ir buscá-la à escola, todos os dias, às 4h30. Não queria mudar de continente dois anos depois de ter mudado de país. Não quero ganhar fortunas, não quero ser chefe de ninguém, quero trabalhar para subsistir e não o contrário. Pedi e recebi. Mas primeiro tive de dizer não ao outro lado. Ao lado da ambição, dos mil projectos, das oportunidades, do dinheiro, do currículo, das experiências. Foi difícil. Levou meses. Às vezes parece que se ousas recusar, nunca mais vais ter sucesso na vida. Mas depois percebi que o sucesso está em mil sítios diferentes. O sucesso, para mim, nesta altura da minha existência, está em ser uma mãe presente e tranquila com as suas escolhas. Quero ter tempo, quero viver, e quero vê-la crescer. Decidi e, dias depois, apareceu-me um trabalho que permite tudo isto. E aprendi que dizer "não" não fecha portas quando o motivo é seguir as nossas necessidades mais importantes e viscerais. Pede e receberás - é o mantra da minha vida.
4/27/2015
Sobre a desigualdade dos outros tempos
Quando a minha avó me adormecia, cantava uma canção que já outras mulheres lhe cantariam a ela quando era pequena.
A canção dizia assim:
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaz
Ser menina, que tristeza,
que impressão que isto me faz
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaaaaaz
Ser menina, que tristeza -ai, ai -
que impressão que isto me faz
Triste sorte foi a minha
Ter as orelhas furadas
E viver com tias velhas
E já todas desdentadas
O papá ralha comigo
A mamã e as maninhas
Comigo andam zangados
até os patos e as galinhas
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaz
Ser menina, que tristeza,
que impressão que isto me faz
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaaaaaz
Ser menina, que tristeza -ai, ai -
que impressão que isto me faz
Ir no domingo à missa, ver o luxo à Trindade
Eu gostaria imenso, de ir à minha vontade
De casaco e de cartola, e bengalinha na mão
So a ideia me consola mas que grande figurão.
A canção dizia assim:
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaz
Ser menina, que tristeza,
que impressão que isto me faz
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaaaaaz
Ser menina, que tristeza -ai, ai -
que impressão que isto me faz
Triste sorte foi a minha
Ter as orelhas furadas
E viver com tias velhas
E já todas desdentadas
O papá ralha comigo
A mamã e as maninhas
Comigo andam zangados
até os patos e as galinhas
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaz
Ser menina, que tristeza,
que impressão que isto me faz
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaaaaaz
Ser menina, que tristeza -ai, ai -
que impressão que isto me faz
Ir no domingo à missa, ver o luxo à Trindade
Eu gostaria imenso, de ir à minha vontade
De casaco e de cartola, e bengalinha na mão
So a ideia me consola mas que grande figurão.
4/22/2015
A curiosa rotina do encantador de peixes
Foi no Sábado, o passeio do costume. Calcar as Ramblas até ao fundo, parar nos leões do Colombo, atravessar a estrada até à feira de velharias do Porto. Aí encontrou uma barbie, com cabelo feito rastas, que queria porque queria e eu, nas minhas filosofias de lhe ensinar que comprar tudo novo nem sempre é bom para o planeta... acedi. Três euros da minha vida por uma boneca que sabe deus, aquele cabelo... Foi a actividade do fim de dia de onte, amaciador às carradas e corte de cabelo novo. Depois falo sobre isso. A conversa de hoje é sobre outra coisa. Voltemos ao passeio.
Atravessamos a ponte do porto. Um dia cheio de sol e de turistas, e é tão bom já não sermos turistas nesta cidade. O mar ao lado. As gaivotas a cantar. Umas cinco crianças a rir alto, qual flautistas de Pan, como íman atraem mãe e filha. O motivo - centenas de peixes pretos, enormes, parecem botas a nadar. Amontoam-se ao lado da ponte. Cá em cima, a olhá-los com ares de Deus ou de domador, um velhote de cabelos compridos, todo ele sorrisos, todo ele palavras. Tinha 3 sacos cheios de baguettes. Ia partindo bocados de pão e atirava-os aos peixes, às crianças, aos pais, que nada faltasse para que todos se divertissem. E falava, falava... Como nos chamávamos, de onde éramos, se gostávamos de peixes, que é muito importante gostar dos peixes. E os ditos a comer, tudo a alimentá-los. Toma lá mais um bocado de pão. Explica-nos em catalão que vai às padarias dos paquistaneses onde lhe fazem as quatro baguetes por um euro, "os paquistaneses, são uma maravilha para os negócios, uma pechincha, nada paga estas manhãs".
Gasta cinco euros e vem com 20 baguettes debaixo do braço - também podia trazer pão duro, que lho dariam de graça, mas não quer, que as crianças às vezes comem os troços que lhes dá e as crianças não podem comer mau pão. Vai ali há cinco anos. Todos os sábados, menos quando chove. No final, quando se acaba o pão, tem um prémio para todos, que tão bem o atirámos aos peixes. Que fechemos os olhos, um dois três - Sugos!!! Chegam mesmo à conta, parece que adivinhou.
E é assim que decide ocupar os sábados. A fazer os peixes e as pessoas felizes. Não houve ninguém que saísse dali sem lhe dar dois beijos e agradecer. Ele podia perfeitamente estar ali sozinho, a atirar o seu pão. Mas partilha, chama, conta, ri. Sabe que a vida, quando é partilhada, pode ser tão mais que mais-ou-menos. Lembrou-me o velho do adeus, ali no Saldanha. Esta cidade ensina-me todos os dias. É mais que um sítio onde se vive. É um estado de espírito.
Atravessamos a ponte do porto. Um dia cheio de sol e de turistas, e é tão bom já não sermos turistas nesta cidade. O mar ao lado. As gaivotas a cantar. Umas cinco crianças a rir alto, qual flautistas de Pan, como íman atraem mãe e filha. O motivo - centenas de peixes pretos, enormes, parecem botas a nadar. Amontoam-se ao lado da ponte. Cá em cima, a olhá-los com ares de Deus ou de domador, um velhote de cabelos compridos, todo ele sorrisos, todo ele palavras. Tinha 3 sacos cheios de baguettes. Ia partindo bocados de pão e atirava-os aos peixes, às crianças, aos pais, que nada faltasse para que todos se divertissem. E falava, falava... Como nos chamávamos, de onde éramos, se gostávamos de peixes, que é muito importante gostar dos peixes. E os ditos a comer, tudo a alimentá-los. Toma lá mais um bocado de pão. Explica-nos em catalão que vai às padarias dos paquistaneses onde lhe fazem as quatro baguetes por um euro, "os paquistaneses, são uma maravilha para os negócios, uma pechincha, nada paga estas manhãs".
Gasta cinco euros e vem com 20 baguettes debaixo do braço - também podia trazer pão duro, que lho dariam de graça, mas não quer, que as crianças às vezes comem os troços que lhes dá e as crianças não podem comer mau pão. Vai ali há cinco anos. Todos os sábados, menos quando chove. No final, quando se acaba o pão, tem um prémio para todos, que tão bem o atirámos aos peixes. Que fechemos os olhos, um dois três - Sugos!!! Chegam mesmo à conta, parece que adivinhou.
E é assim que decide ocupar os sábados. A fazer os peixes e as pessoas felizes. Não houve ninguém que saísse dali sem lhe dar dois beijos e agradecer. Ele podia perfeitamente estar ali sozinho, a atirar o seu pão. Mas partilha, chama, conta, ri. Sabe que a vida, quando é partilhada, pode ser tão mais que mais-ou-menos. Lembrou-me o velho do adeus, ali no Saldanha. Esta cidade ensina-me todos os dias. É mais que um sítio onde se vive. É um estado de espírito.
4/21/2015
Vamos falar de desmame
Desmame é uma palavra horrível. Lembra-me sempre pessoas a deixar medicação e coisas que tais.
Deixar de mamar, parar de mamar, largar a mama, vá como preferirem. Qualquer uma destas é melhor. Por cá aconteceu dia 17 de Abril deste ano, naturalmente e sem imposições, como sempre desejei (e acredito que ela também).
Ás vezes dá saudades, ai se dá, daquele quentinho, das festinhas que me dava na cara nestes momentos, do cheiro do cabelo dela ali tão perto, de pegar nela como se fosse (e se era) o meu bebé.
Mas depois, epá, e tinha mesmo de escrever um "epá" aqui, um epá de alívio, de mãos para baixo, de sorriso de orelha a orelha e braços no ar. É que é uma sensação de liberdade, 3 anos e meio depois, reaver o meu próprio corpo, que nem se explica.
E no fundo são duas sensações tão díspares (a de saudades do passado e de alegria pelo presente) e tão igualmente fortes que acabam por se complementar e deixar o meu coração numa paz perfeita e completa.
Na verdade durou o que tinha que durar, o suficiente para me deixar exausta mas não demasiado para ter deixado tantas saudades.
E o mais curioso disto tudo é que ela deixou de mamar no mesmo dia em que a minha avó nos deixou, doze anos antes. Lei de Lavoisier. A vida é mesmo mágica.
Deixar de mamar, parar de mamar, largar a mama, vá como preferirem. Qualquer uma destas é melhor. Por cá aconteceu dia 17 de Abril deste ano, naturalmente e sem imposições, como sempre desejei (e acredito que ela também).
Ás vezes dá saudades, ai se dá, daquele quentinho, das festinhas que me dava na cara nestes momentos, do cheiro do cabelo dela ali tão perto, de pegar nela como se fosse (e se era) o meu bebé.
Mas depois, epá, e tinha mesmo de escrever um "epá" aqui, um epá de alívio, de mãos para baixo, de sorriso de orelha a orelha e braços no ar. É que é uma sensação de liberdade, 3 anos e meio depois, reaver o meu próprio corpo, que nem se explica.
E no fundo são duas sensações tão díspares (a de saudades do passado e de alegria pelo presente) e tão igualmente fortes que acabam por se complementar e deixar o meu coração numa paz perfeita e completa.
Na verdade durou o que tinha que durar, o suficiente para me deixar exausta mas não demasiado para ter deixado tantas saudades.
E o mais curioso disto tudo é que ela deixou de mamar no mesmo dia em que a minha avó nos deixou, doze anos antes. Lei de Lavoisier. A vida é mesmo mágica.
4/01/2015
Dia 1 de Abril para crianças
Get ready Bel :) MUAHAHAHAHAAHHAHA
![]() |
| imagem roubada daqui:http://diply.com/different-solutions/ways-to-win-at-parenting-this-april-fools-day/109183/3 |
3/25/2015
Sabes que a tua filha está bem entregue...
quando o professor termina o relatório de avaliação com a frase "té un món interior molt bonic".
<3
<3
3/23/2015
sim
Ter tudo acabado, pronto e entregue. A casa arrumada, a roupa passada, a comida feita. A tese escrita, revista, impressa, oficialmente entregue e com defesa marcada. Ter as decisões tomadas, as malas feitas, a porta fechada. A vida em ordem. Despedidas em dia. Tudo no sítio. Só que não.
3/20/2015
El Estudantil
É mais um café do que um restaurante. Fica em frente ao sítio onde trabalho e não deve nada à beleza. Não sei se é das mesas velhas, se das cadeiras de metal a abanar, se das paredes lilás ou se é da slot machine. Há qualquer coisa neste sítio, ou será talvez o conjunto de todas estas coisas, que o tornam num lugar feio. Mesmo feio.
E depois enche-se de universitários e dos senhores dos autocarros que param na estação da rua atrás. As pessoas falam alto e riem alto e pedem alto e há pouca paz. E isto é o melhor que pode haver quando passamos os dias enfiados em bibliotecas - é que é mesmo!
El Estudantil é explorado por um casal chinês que não percebe nada do que lhes digo, eles com o seu chino-catalão e eu com o meu Portinhol.
Mas sabem sempre para onde o meu dedo aponta e nunca me falharam um pedido. Gosto de cá vir. Ele tem as unhas meio compridas e deixa sempre um chá de limão pousado na banca, que vai bebendo ao longo do dia. Gosta de usar cinzento e é ele quem cozinha. Ela atende as pessoas, usa o cabelo pelo queixo com uma franja, nuns dias está bem disposta e noutros não. Fica contente quando lhe levo a chávena do café vazia ao balcão e tem a foto de um bebé colada na parede atrás a máquina registadora. Ela não sabe, mas eu já a apanhei muitas vezes a sorrir saudosa ao bebé da foto enquanto faz o troco aos clientes, e sempre que isto acontece eu saio de lá comovida.
Se eu vou antes do meio dia apanho-os a almoçar iguarias jamais vistas. Ás vezes são sopas esquisitas, outras vezes peixes com folhas, sempre escondidos e encolhidos atrás do balcão para que os clientes não vejam. Se eu for depois das 5 vejo as filhas gémeas a ajudar e a fazer os trabalhos de casa, entre um bocadillo e uma fanta, que o serviço não para.
Se for à hora de almoço como um prato cheio de noodles feitos por ele na hora, e por 3.5€ fico feliz para sempre até ser hora de jantar.
Eu gosto é destes sítos, feitos de gente, que dão pão e segurança a quem lá trabalha. São sítios reais, que suportam a vida. Fazem-me sentido.
Há anos que não entro num McDonals e não me lembro da última vez que bebi um starbucks.
Salvam-me estes lugares que vou encontrando.
E depois enche-se de universitários e dos senhores dos autocarros que param na estação da rua atrás. As pessoas falam alto e riem alto e pedem alto e há pouca paz. E isto é o melhor que pode haver quando passamos os dias enfiados em bibliotecas - é que é mesmo!
El Estudantil é explorado por um casal chinês que não percebe nada do que lhes digo, eles com o seu chino-catalão e eu com o meu Portinhol.
Mas sabem sempre para onde o meu dedo aponta e nunca me falharam um pedido. Gosto de cá vir. Ele tem as unhas meio compridas e deixa sempre um chá de limão pousado na banca, que vai bebendo ao longo do dia. Gosta de usar cinzento e é ele quem cozinha. Ela atende as pessoas, usa o cabelo pelo queixo com uma franja, nuns dias está bem disposta e noutros não. Fica contente quando lhe levo a chávena do café vazia ao balcão e tem a foto de um bebé colada na parede atrás a máquina registadora. Ela não sabe, mas eu já a apanhei muitas vezes a sorrir saudosa ao bebé da foto enquanto faz o troco aos clientes, e sempre que isto acontece eu saio de lá comovida.
Se eu vou antes do meio dia apanho-os a almoçar iguarias jamais vistas. Ás vezes são sopas esquisitas, outras vezes peixes com folhas, sempre escondidos e encolhidos atrás do balcão para que os clientes não vejam. Se eu for depois das 5 vejo as filhas gémeas a ajudar e a fazer os trabalhos de casa, entre um bocadillo e uma fanta, que o serviço não para.
Se for à hora de almoço como um prato cheio de noodles feitos por ele na hora, e por 3.5€ fico feliz para sempre até ser hora de jantar.
Eu gosto é destes sítos, feitos de gente, que dão pão e segurança a quem lá trabalha. São sítios reais, que suportam a vida. Fazem-me sentido.
Há anos que não entro num McDonals e não me lembro da última vez que bebi um starbucks.
Salvam-me estes lugares que vou encontrando.
3/15/2015
dessas coisas da beleza.
Faz-me impressão o eterno debate sobre a beleza, as mudanças do corpo, as estrias, a gravidade, os anúncios da dove, o aceitar dos cabelos brancos, pintar ou não pintar, esticar a pele ou não.
E também me dá calafrios o afirmar, em tons de verdade absoluta, que afinal as mais belas são as mulheres que não ligam ao físico, as que não mexem em nada, as que abraçam as marcas da idade e ignoram os anúncios das revistas. De igual forma que gosto pouco de ouvir que, contrariamente, são antes mais válidas e reais as que se depilam e se operam até morrer, as fashion victims, "as que não se acomodam e fazem por ser felizes".
Interessa-me zero o que cada uma faz com o seu corpo.
É-me igual que ponhas silicone ou extensões. É para o lado que eu durmo melhor se não tiras os pelos dos suvacos e adoras as tuas curvas. Numa facção ou noutra, este debate é e continuará a ser infrutífero até que se perceba que a beleza é mais do que está por fora. Uma mulher é bela por aquilo que emite, e aquilo que emite vem única e exclusivamente de dentro.
E isto é bem mais do que um cliché.
Com plásticas ou sem elas, vale de pouco o que está por fora quando não se aprimora o SER que escolhemos para nós. E isto acontece quando dos nos amamos e valorizamos para além do que se vê no espelho. Quando honramos a nossa história pessoal, reconhecemos a nossa evolução e traçamos planos para continuar a progredir. Quando escolhemos largar o medo e a culpa. Isto é beleza. Isto é força. Não somos só um corpo. Não somos só mulheres. Somos humanos que vivem com um propósito, e é bom que nos comecemos a perguntar o que podemos fazer pelo mundo para o deixar um pouco melhor. Acho que é por isto que nos vão recordar mais tarde.
E também me dá calafrios o afirmar, em tons de verdade absoluta, que afinal as mais belas são as mulheres que não ligam ao físico, as que não mexem em nada, as que abraçam as marcas da idade e ignoram os anúncios das revistas. De igual forma que gosto pouco de ouvir que, contrariamente, são antes mais válidas e reais as que se depilam e se operam até morrer, as fashion victims, "as que não se acomodam e fazem por ser felizes".
Interessa-me zero o que cada uma faz com o seu corpo.
É-me igual que ponhas silicone ou extensões. É para o lado que eu durmo melhor se não tiras os pelos dos suvacos e adoras as tuas curvas. Numa facção ou noutra, este debate é e continuará a ser infrutífero até que se perceba que a beleza é mais do que está por fora. Uma mulher é bela por aquilo que emite, e aquilo que emite vem única e exclusivamente de dentro.
E isto é bem mais do que um cliché.
Com plásticas ou sem elas, vale de pouco o que está por fora quando não se aprimora o SER que escolhemos para nós. E isto acontece quando dos nos amamos e valorizamos para além do que se vê no espelho. Quando honramos a nossa história pessoal, reconhecemos a nossa evolução e traçamos planos para continuar a progredir. Quando escolhemos largar o medo e a culpa. Isto é beleza. Isto é força. Não somos só um corpo. Não somos só mulheres. Somos humanos que vivem com um propósito, e é bom que nos comecemos a perguntar o que podemos fazer pelo mundo para o deixar um pouco melhor. Acho que é por isto que nos vão recordar mais tarde.
3/13/2015
(receita de Vinícius) Para viver um grande amor
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há de fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas na florista
Muito mais, muito mais que na modista
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?
Para viver um grande amor, é muito
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há de ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor!
https://www.youtube.com/watch?v=lJGA38IPXY8
3/11/2015
Fada dos dentes, aos 3 anos
Há uns dias a minha pobre filha entalou o dedo mindinho da mão direita numa porta da escola. A pobre veio com o dedo em sangue, todos preocupados, "luego la corrí en brazos, que lloraba" - (e era para menos?), ela fora de si, que foi só a segunda vez em 3 curtos anos de vida que viu o seu próprio sangue.
Eu para estas coisas supreendo-me. Não fico nada abananada nem sou a típica mãe que vai a correr para as urgências.
Dói muito?
Sim
Queres ir ao médico?
Não
Então não vamos.
E não fomos. Fiquei vigilante estes dias todos, água oxigenada de quando em vez e esperar que a natureza faça o resto. E fez. Hoje vinha a desgraçada com a unha pendurada, quase a cair. Bel em pânico, eu sem saber muito bem o que fazer que nunca me caiu uma unha na vida.
E depois ver um dedinho miniatura com uma unha decrépita a dar-a-dar e aquela pele toda lá por trás sem saber bem qual o seu lugar no mundo... epá... não é bonito.
De maneira que tive de arranjar qualquer coisa para tornar a situação menos dramática.
Lembrei-me de partes do corpo que caiem e, quando o fazem, tornam as crianças mais felizes: os dentes.
Por sorte há um episódio da peppa pig em que vem a fada dos dentes, com uma varinha e uma moeda, e leva o dente que a Peppa até lavou antes de colocar por baixo da almofada (e que a Bel já viz 500 vezes).
Lembrei-lhe do filme, e disse que a fada tinha uma irmã, a fada das unhas, que adorava unhas caídas e que se então ela concordasse íamos ficar as duas muito felizes pela sorte que foi ter entalado o dedo e a unha estar mesmo mesmo a cair e assim que acontecesse íamos direitinhas pôr a dita debaixo da almofada.
Assim fizemos. Ao jantar olhei-lhe para a mão e a unha já não estava. Ela nem reparou. Era ver-me de rabo para o ar por todos os cantos da casa à procura de uma mini unha de um mini dedo mindinho. Encontrei-a ao lado da plasticina, na mesinha das actividades. Agora jaz por baixo da almofada, e a Bel dorme segura e serena na esperança de acordar e encontrar, no lugar da unha, uma moeda reluzente para ir comprar um ovo kinder, provavelmente na esperança que também lhe caia um dente.
3/10/2015
Mãe, quem é o Deus?
Vem aí a Semana Santa, vai ter férias, e eu tive de explicar porquê.
O que é a Páscoa, quem era Jesus, Maria, os coelhos, os apóstolos e os ovos de chocolate. Começa-se uma conversa de duas frases com uma criança de 3 anos e acaba-se 10 minutos mais tarde, depois de se ter dado voltas aos confins da memória e viajado aos primórdios dos tempos.
Para pessoas não religiosas fica ainda mais complicado explicar estas histórias, pelo menos sem passar uma visão parcial.
Mas teve de ser.
Encher o peito de ar e dizer-lhe então que sim, que Jesus era um senhor muito boniiiiiiiito que dizem que era muito boooom, e que ajudava os doentes e que dava pão e que andava sobre a água.
E sim, que era filho de Maria que teve Jesus nas palhinhas e que o seu papel na história começa e acaba mais ou menos aí (a insignificância das mulheres na religião mata-me), e que Maria teve o filho sem pedir a ninguém e que quem enviou Jesus desta vez não foi a cegonha, não senhor que isso é no Dumbo, aqui foi Deus.
"Mas quem é Deus?".
Bom, isto já é outra conversa.
Deus é outro senhor que vive lá em cima numa nuvem e é amigo das crianças e tem umas barbas muito compriiiiiiiiidas, e que não, não é o pai natal (concentra-te lá que a história é outra). Deus foi pai de Jesus e foi ele que fez o mundo, tudo o que existe.
- Tudo? Tudo o quê?
-Então, dizem que fez o céu, a terra, as flores, as pessoas, os animais, a amizade, o amor.
-E os rabos também?
-Pois claro, os rabos também.
(adoro esta miúda).
O que é a Páscoa, quem era Jesus, Maria, os coelhos, os apóstolos e os ovos de chocolate. Começa-se uma conversa de duas frases com uma criança de 3 anos e acaba-se 10 minutos mais tarde, depois de se ter dado voltas aos confins da memória e viajado aos primórdios dos tempos.
Para pessoas não religiosas fica ainda mais complicado explicar estas histórias, pelo menos sem passar uma visão parcial.
Mas teve de ser.
Encher o peito de ar e dizer-lhe então que sim, que Jesus era um senhor muito boniiiiiiiito que dizem que era muito boooom, e que ajudava os doentes e que dava pão e que andava sobre a água.
E sim, que era filho de Maria que teve Jesus nas palhinhas e que o seu papel na história começa e acaba mais ou menos aí (a insignificância das mulheres na religião mata-me), e que Maria teve o filho sem pedir a ninguém e que quem enviou Jesus desta vez não foi a cegonha, não senhor que isso é no Dumbo, aqui foi Deus.
"Mas quem é Deus?".
Bom, isto já é outra conversa.
Deus é outro senhor que vive lá em cima numa nuvem e é amigo das crianças e tem umas barbas muito compriiiiiiiiidas, e que não, não é o pai natal (concentra-te lá que a história é outra). Deus foi pai de Jesus e foi ele que fez o mundo, tudo o que existe.
- Tudo? Tudo o quê?
-Então, dizem que fez o céu, a terra, as flores, as pessoas, os animais, a amizade, o amor.
-E os rabos também?
-Pois claro, os rabos também.
(adoro esta miúda).
3/04/2015
Discussão de casal
- Tu por acaso tens ideia da pressão que é estar a acabar de escrever uma tese de doutoramento?
- Tu por acaso tens ideia da pressão que é viver com uma pessoa que está acabar de escrever uma tese de doutoramento?
Al-1 Rita-0
- Tu por acaso tens ideia da pressão que é viver com uma pessoa que está acabar de escrever uma tese de doutoramento?
Al-1 Rita-0
2/26/2015
Chocolates.
Ontem vieram os avós visitar toda a família a Barcelona.
Uma festa, muitos beijinhos, muitas prendinhas, uma caixa de plasticina, outra da Peppa Pig cheia de chocolates (depois mando a conta do dentista, avós...).
Fomos jantar, as prendas ficaram no quarto. Bel acaba de jantar primeiro, ai que come tão bem e tão depressa, rica menina, limpa bem a boca.
"Vou brincar" "vai filha, a mãe já vai ter contigo".
Matar saudades, como está a família?, passa aí o sal, ai que está tudo tão bom, onde é que anda a Bel?
Silêncio.
O quarto.
Sentada na cama - refastelada - Boca cheia. Caixa de chocolates vazia.
Bel!!!! O que é isto???
-Ito é um poblema, mãe.
Uma festa, muitos beijinhos, muitas prendinhas, uma caixa de plasticina, outra da Peppa Pig cheia de chocolates (depois mando a conta do dentista, avós...).
Fomos jantar, as prendas ficaram no quarto. Bel acaba de jantar primeiro, ai que come tão bem e tão depressa, rica menina, limpa bem a boca.
"Vou brincar" "vai filha, a mãe já vai ter contigo".
Matar saudades, como está a família?, passa aí o sal, ai que está tudo tão bom, onde é que anda a Bel?
Silêncio.
O quarto.
Sentada na cama - refastelada - Boca cheia. Caixa de chocolates vazia.
Bel!!!! O que é isto???
-Ito é um poblema, mãe.
2/20/2015
2/17/2015
Idade do "e depois?"
Já conhecia a idade dos porquês. Ninguém me avisou da idade do "que é ito?", que antecedeu a dos porquês uns meses. Ambas foram fáceis e até divertidas.
Quando pensei que estas fases acabavam e finalmente começaríamos a ter viagens casa-escola normais, tipo a falar como gente incluindo assuntos do dia, "o que comeste?" e outros que tais, eis que me aparece a idade do "e depois?".
A pior. É verdade, a idade do "e depois?" é só mais horrível de sempre no sentido em que, ao contrário da dos porquês (que tantas vezes nos confronta com a nossa própria ignorância em relação aos aspectos mais triviais do dia-a-dia) a idade do "e depois?" nos confronta com a nossa imensa previsibilidade e rotina mecanicista.
Senão vejamos:
Onde vamos mãe?
Para a escola
"e depois?"
Vais brincar muito, estar com os teus amigos
"e depois?"
Às 4h30 a mãe vai-te buscar.
"e depois?"
Vamos ao parque
"e depois?"
Vamos para casa, tomar banho, brincar, jantar, já sabes...
"e depois?"
Então, depois vais dormir...
"e depois?"
Acordas. Tomas o pequeno almoço
"e depois?"
Depois vamos para a escola
"e depois?"
Vais brincar muito, estar com os teus amigos
ôta vez?
Pois é.
Quando pensei que estas fases acabavam e finalmente começaríamos a ter viagens casa-escola normais, tipo a falar como gente incluindo assuntos do dia, "o que comeste?" e outros que tais, eis que me aparece a idade do "e depois?".
A pior. É verdade, a idade do "e depois?" é só mais horrível de sempre no sentido em que, ao contrário da dos porquês (que tantas vezes nos confronta com a nossa própria ignorância em relação aos aspectos mais triviais do dia-a-dia) a idade do "e depois?" nos confronta com a nossa imensa previsibilidade e rotina mecanicista.
Senão vejamos:
Onde vamos mãe?
Para a escola
"e depois?"
Vais brincar muito, estar com os teus amigos
"e depois?"
Às 4h30 a mãe vai-te buscar.
"e depois?"
Vamos ao parque
"e depois?"
Vamos para casa, tomar banho, brincar, jantar, já sabes...
"e depois?"
Então, depois vais dormir...
"e depois?"
Acordas. Tomas o pequeno almoço
"e depois?"
Depois vamos para a escola
"e depois?"
Vais brincar muito, estar com os teus amigos
ôta vez?
Pois é.
2/15/2015
E tu, que fazes Rita?
Ainda estou a tentar digerir esta semana que passou.
Festas de carnaval, dia dos namorados e sexta-feira treze condensados em meia dúzia de dias chegam a doer. Sobretudo para quem não é particularmente fã de festividades que envolvam corações e gatos pretos. À parte disso continuo saudável e viva, com muitos pontos de interrogação sobre practicamente todos os aspectos da minha vida, que isto de chegar aos trinta não nos torna mais sábios... Estar em fase de transição é isso, muitas possibilidades, poucas certezas. Um dia de cada vez. Só por hoje peço serenidade para nunca tomar decisões baseadas em emoções erradas- que me guiem os sonhos e nunca os medos.
Festas de carnaval, dia dos namorados e sexta-feira treze condensados em meia dúzia de dias chegam a doer. Sobretudo para quem não é particularmente fã de festividades que envolvam corações e gatos pretos. À parte disso continuo saudável e viva, com muitos pontos de interrogação sobre practicamente todos os aspectos da minha vida, que isto de chegar aos trinta não nos torna mais sábios... Estar em fase de transição é isso, muitas possibilidades, poucas certezas. Um dia de cada vez. Só por hoje peço serenidade para nunca tomar decisões baseadas em emoções erradas- que me guiem os sonhos e nunca os medos.
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