11/22/2013

Ó p'ra nós no Diário da Pikitim.

Foi inesperadamente que a Luisa, do Diário da Pikitim, me apareceu aqui no blog.

Quanta honra  participar no seu projecto de ajudar a que famílias com crianças venham conhecer cidades estrangeiras!

Falámos-lhe um pouco de nós, fizemos um roteiro child-friendly e agora é esperar que a família Pikitim nos venha ver.

Para todos os que quiserem vir até Barcelona, estejam à vontade para me enviar mensagens se quiserem mais indicações. Podem usar a nossa página do facebok para o efeito ou o e-mail que está no meu perfil. Até já!



5/11/2013

das casas, #2

Aqui? Aqui imagino que morava um casal há mais de 60 anos, apaixonados desde a adolescência.
Quando ela morreu ele foi morar para o Norte com o filho e a casa ficou abandonada.
E foi então que no jardim começaram a nascer as mais belas flores, sem que ninguém saiba quem delas tão bem trata.








5/05/2013

a minha mãe.

A minha mãe é mãe de todos. Gosta de cuidar, e cuida como ninguém.
Eu soube o seu verdadeiro valor depois de também eu ter sido mãe.
Aí tudo fez sentido, ficou mais claro e mais intenso.
Não lhe digo muitas vezes mas a minha mãe é uma grande mulher.
Enfrentou guerras feitas pelos homens, batalhas contra doenças, viveu fases tão difíceis mas não perdeu o amor dentro de si. A minha mãe ama visceralmente.
E eu amo-a desde que nasci. Foi a primeira pessoa que amei.
Depois do cheiro da pele da minha filha, vem o cheiro da pele da minha mãe. 




5/04/2013

Hansel & Gretel versão Isabel

Conhecem a história da casinha de chocolate, em que os meninos, para não se perderem, vão deixando um rasto de migalhas pelo caminho?
Cá em casa é igual mas... Em vez da casinha de chocolate só temos chocolate em casa.
Em vez de migalhas temos roupa acabadinha de lavar.
Em vez do Hensel ou da Gretel temos Bel.
E a eterna questão que de novo de levanta.
A vida imita a arte ou a arte imita a vida? (eu cá voto na 2a)





5/03/2013

Os meninos não se tratam por tu.

Hoje foi a festa (antecipada) do dia da mãe na escola da minha filha.

Enquanto as crianças brincavam cá fora, uma mãe que falava com uma das educadoras emendou a sua filha, que lhe dizia 'oh mãe, olha aqui':
Não se trata os crescidos por tu, ouviu Maria? O que é que a mãe lhe ensinou, Maria?
A educadora desculpou-se: ah, sabe, é que há meninos lá na sala que se tratam por tu.
Alguns até aos próprios pais tratam por tu (c'órror tia!).

Nisto a tal Maria veio para junto da Bel brincar.

Estás boa Maria? (perguntei eu) Olha a Maria, Bel! Vai brincar com ela.
'Era a isto que me referia' disseram os olhos da educadora aos olhos pasmos da mãe.

E se a Bel falasse diria 'Anda também, mãe'.


Ainda hei-de morrer sem perceber o motivo de pais e filhos se tratarem por você.





4/29/2013

Stress e ayurveda

Desde que fui mãe que vi a minha 'to do list' a aumentar de dia para dia e, sem saber como, as horas ficaram mais curtas e os dias mais pequenos. Aos poucos e poucos o ter de conjugar uma maternidade que tem na sua essência o estar 100% disponível (dias e noites) com todas as tarefas profissionais (remuneradas e não remuneradas) em que me envolvo, por vezes fez-me experimentar o tão famigerado stress.
E é mesmo disto que vos venho falar hoje: o stress e a abordagem ayurveda para lidar com ele. Primeiro, há que identificar a causa do stress e, posteriormente, alterar hábitos (sobretudo alimentares) de modo a reequilibrar corpo e mente. Ficam umas dicas básicas para driblar os sintomas do stress.

Se a causa for emocional, geralmente o stress manifesta-se em ansiedade, depressão, insónias e instabilidade emocional. Este tipo de stress perturba o dosha Pitta (falarei em breve dos doshas) e pode apaziguar-se com alguns dos seguintes truques:
Beber sumos de fruta doces
Preferir alimentos doces, amargos e adstringentes
Cozinhar com especiarias refrescantes tais como coentros, cardamomo e menta
Fazer uma auto-massagem diária com um óleo refrescante (tal como óleo de coco)
Ir dormir antes das 22h

Se a causa for física, geralmente deve-se a um uso insuficiente ou exagerado da actividade física. Os sintomas são cansaço físico, juntamente com confusão mental e dificuldade de concentração. Alguns truques para minimizar os sintomas são:
Repouso adequado e exercícios moderados
Seguir uma dieta pacificadora Vata-Kapha
Fazer auto-massagem com óleo quente no corpo inteiro todos os dias


O stress é mental se for causado por um mau uso ou uso excessivo da mente. Por exemplo, se  trabalhar mentalmente muitas horas por dia ou passar longas horas no computador pode causar um desequilíbrio no Prana Vata, o operador do corpo-mente responsável pela atividade do cérebro, energia e mente. O primeiro sintoma do desequilíbrio Vata  está em perder a capacidade de lidar com o stress do dia-a-dia, seguido por uma deficiência nas funções mentais como aquisição, retenção e recall. A mente fica hiperativa, mas a pessoa perde a capacidade de tomar decisões claras e pensar positivamente, de sentir entusiasmo, e até de adormecer à noite.
Alguns truques:
Preferir alimentos que equilibrem o Vata (alimentos de sabor doce, azedo e salgado) 
Ingerir leite quente e outros produtos lácteos leves
Fazer uma auto-massagem diária de corpo inteiro com
óleo quente  
Descansar bastante, evitar estimulantes como cafeína e beber chá de ervas
Aromaterapia e meditação também podem ajudar a acalmar a mente. 


4/28/2013

Tintas de fruta

Fomos aprender a fazer e a usar tintas de fruta.
Uma manhã de farinha nos cabelos, morangos na camisa, manga entre as unhas. Uma maravilha!

Como fazer:
Tritura-se a fruta escolhida (manga ou pêssego para o amarelo; morango para o cor-de-rosa; kiwi para o verde) com um pouquinho de água e farinha num liquidificador até ganhar a consistência de uma papa bem grossinha. Depois é pintar, misturar, usar pincéis, mãos, dedos, narizes. A boa notícia é que mesmo que comam a tinta só ficam a ganhar. E descobrem cores, texturas, cheiros e gostos.
Nada se cria, nada se perde... :-)






4/26/2013

thank you!

Faz bem à alma. Motiva. Dá energia.
Traz mais do que gostamos e afasta o que não queremos.
Ultimamente tenho acordado a transbordar gratidão.

Tenho motivos mais do que suficientes.

Hoje, por exemplo, é Sexta-feira :)

4/23/2013

Um desconforto feliz

Felicidade e estabilidade para mim são conceitos isolados que não se tocam em ponto algum.
Isto da estabilidade ser felicidade é tão verdade como felicidade ser rotina ou nascer da segurança do previsível.
O próprio conceito de felicidade é instável, e já teve em mim definições tão distintas.
Para mim estabilidade é conforto. Felicidade é realização.
E ainda que possa haver conforto sem total realização, a realização plena não vive só de conforto.

A estabilidade, muitas vezes, assusta-me. Estáveis só os postes.

Feliz é quem tem asas.




'Sou feliz só por perguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença. Há que entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.'
Mia Couto, Mar me Quer.

4/22/2013

Awsome shaped!


“Weight and body oppression is oppressive to everyone. When you live in a society that says that one kind of body is bad and other is good, those with “good” bodies constantly fear that their bodies will go “bad”, and those with “bad” bodies are expected to feel shame and do everything they can to have “good” bodies. In the process, we torture our bodies, and do everything from engage in disordered eating to invasive surgery to make ourselves okay. Nobody wins in this kind of struggle.”

 Golda Poretsky



Retirado de MotherWise

4/19/2013

Das casas

Mania esta de passar pelas casas e comer-lhes as janelas e as portas com os olhos. Querer saber quem lá vive e como vive. O que faz, o que está a fazer, o que pensa, o que come, come à mesa ou no sofá? Mania esta de não passar só, passar antes comigo e com os meus mil e um pontos de interrogação que constroem as histórias de pessoas que nunca vi.

Nesta casa, por exemplo, imagino que deve morar uma mulher de 77 anos que criou a filha de uma vizinha que emigrou e nunca mais voltou. Passou a vida de tal modo dedicada aquela criança (qual missão) que nunca chegou a arranjar tempo para formar a sua própria família.
Hoje em dia a criança é uma mulher que casou e foi viver para longe (a ingrata).
Esta senhora passa os dias em trabalhos de costura para umas freguesas que lhe arranjam bainhas por fazer e sacos de pão duro para o jantar.
Tem gatos. Chama-se Dulce.
E sonha com o dia em que poderá conhecer os netos emprestados.







4/17/2013

10 anos

Faz hoje dez anos que se foi embora a Mulher que inspira este blog.
Faz hoje dez anos que aprendi que se pode viver com o coração partido ao meio e que, com o tempo e as coisas que o tempo traz, se pode voltar a olhar para a vida com a mesma alegria de outros tempos.
De vez em quando visita-me em sonhos. E eu sei que não é a minha imaginação porque a vejo, cheiro e sinto. Não vem muitas vezes mas, quando vem, é como um refill de amor que me dura até à próxima visita.

 
(avó Bela num dos muitos concursos de dança em que participava - e ganhava!)


   




4/12/2013

Lúcia Lima

Foi na semana passada que encontrei folhas secas de chá Lúcia Lima à venda.
Há quem lhe chame Limonete ou, no Algarve, Bela Luísa.
Lúcia, Limonete ou Luísa, este chá está destinado aos 'Ls', L de lavagem, de luz, de limão.
Sabe tão bem e é tão fresco!
E é melhor ainda porque me transporta à infância, à casa da minha outra avó, em Cantanhede, onde nunca, mas nunca, faltava um frasco de vidro cheio destas folhas, apanhadas lá tão perto.
É o meu chá preferido.







4/10/2013

BebeBel..

Já não cabe no ovo
Já não quer água no biberon
Já diz mais de seis palavras e imita até os peixes
Já quer saltar e continua a aprimorar os passos de dança
É ela quem decide o que come e como come
Não dá beijos quando não quer
Não gosta de bonecas
Adora música

A minha bebé está cada vez mais pessoa, mais menina, mais ela.

Cada dia precisa menos de mim.

Eu, cada dia sou mais dela.








4/05/2013

A hora da Estrela

A fundação Calouste Goulbenkian abriu as portas da exposição 'Clarice Lispector - A hora da Estrela', que poderão visitar de 5 de Abril até 23 de Junho na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian.

Desta obra lembro-me da Macabéa, mulher magra e redimida que saiu do Sertão em busca de uma vida melhor no Rio de Janeiro.
A Macabéa vivia num quarto, gostava de cinema e tomava comprimidos sem água, que no Sertão a água era um bem escasso. 
Viveu sem sonhos e aspirações e morreu como morreram grandes personalidades da história: atropelada. 

No seu fim,
 (como também acontece a todos os que são luz)
 a Macabéa transforma-se em estrela.  
     
... E também me lembro de tardadas na praia a falar dela com a minha irmã, que foi a pessoa que me apresentou a obra da Clarisse Lispector.



Foto de Márcia Lessa tirada daqui
 

4/04/2013

A receita primeira

Leite materno

Se tivesse tempo criava uma liga de protesto contra a Nestlé.
Se eu pudesse dava workshops a todas as mães do mundo sobre amamentação.
Se houvesse quem me ouvisse diria às mães para amamentarem os seus filhos e não caírem nas tramas do leite artificial só porque sim.
E denunciava as acções dos fabricantes deste tipo de alimento em países subdesenvolvidos nos quais uma lata de leite em pó é quase mais cara que a renda de casa mas ainda assim convencem as mães de que o seu leite não é suficientemente bom.
Estas mães praticamente deixam de comer para comprar as malditas latas.
Acabam sem leite, sem dinheiro e subnutridas. E estes magnatas cada vez mais gordos e de bolsos mais cheios, enquanto toda uma sociedade é enganada.
Se eu soubesse disto quando a Bel nasceu diria à enfermeira que me encheu a mala com amostras de leite em pó que as desse ao gato, ao pardal ou que as bebesse ela.
Felizmente nunca as usei, mas isto de as deixar 'mesmo à mão, caso precise' é quase preverso e deveria ser denunciado. 
Se acreditassem em mim eu dizia a toda a gente que, salvo raras excepções, as mães produzem o leite que os filhos precisam. Nem mais, nem menos.
Não existe leite fraco, leite aguado, leite insuficiente. Se os bebés choram muitas vezes, dê-se mama muitas vezes. Tudo menos desistir. Tudo menos quebrar o elo, o vínculo maravilhoso e mágico que é alimentar um filho.
Se eu pudesse... e já que posso.. amamento-te até ordens TUAS em contrário, Bel.







3/23/2013

Bread Pudding

Quando a avó Bela e os irmãos ficaram orfãos dos dois pais foram levados para um orfanato em Moçambique. A avó teria uns cinco anos. De uma vida relativamente confortável passaram a andar descalços e rotos, sob a supervisão das freiras mais que frustradas que descarregavam nas crianças as suas vidas mal resolvidas. Mas nem tudo foi mau. Uns tempos depois o advogado do seu pai foi resgatar estes irmãos, e acabaram por ser criados por ele e pela sua mulher, a quem chamavam 'Aunty Rita' (talvez venha daqui a tradição das Ritas na família). Graças a este casal puderam prosseguir os estudos e a minha avó frequentou um colégio inglês que adorou e toda a vida, sempre que podia, falava inglês connosco, fazia os doces típicos no natal e, praticamente todos os domingos, fazia esta receita que aqui partilho: Bread Pudding.
É muito fácil de fazer.

Do que precisam (estas quantidades são para fazer num tabuleiro dos grandes de ir ao forno, dará para umas 12 pessoas... que não comam muito):

3 colheres de chá de manteiga amolecida
18 fatias de pão (pode ser pão de forma, quanto mais fofinho melhor)
Uma chávena de passas
1 1/2 colher de sopa de noz moscada, ralada
6 colheres de sopa de açucar

Para o custard:
6 ovos
3 colheres de sopa de açucar
1 pitada de sal
1 1/2 de chá de essência de baunilha
3 chávenas de leite

1- Unta-se o tabuleiro no fundo e nos lados com a manteiga amolecida;
2- Barram-se as fatias de pão com manteiga, dos dois lados
3- Tapa-se o fundo com uma camada (6 fatias) de fatias de pão; espalham-se passas, uma pitada de noz moscada, e polvilha-se com açucar.
4- Põe-se a 2a camada de pão e repete-se o procedimento.
5- Tapa-se com a última camada de pão, reserva-se e faz-se o custard:

Para o custard:
1- Batem-se bem os ovos, inteiros.
2- Aqueçe-se o leite com açucar e a essência de baunilha.
3- Junta-se os ovos batidos quando o leite estiver morno e mexe-se bem, até que os ingredientes estejam misturados.
4- Espalha-se uniformemente a mistura de leite e ovos em cima do pão e vai ao forno, a 170º / 190º, até estar douradinho (é daquelas sobremesas que se vai espreitando, sem ter um tempo certo).

Enjoy it!




3/22/2013

3/20/2013

Primavera

Primavera! Há quanto tempo... Passou um ano inteiro mas continuas igual.
Dá cá o casaco, as luvas e o cachecol. Entra, senta-te, e põe-te à vontade. A minha casa é tua também.