3/18/2013

Nature's on my side.

2as feiras...
Aqueles dias que existem, só porque sim, sem que se saiba muito bem o que se fazer com eles.

Temos os níveis de energia em modo 'domingo', a motivação em modo 'quero sábado'.

O mundo volta a ser o que era a semana passada.
O céu está no mesmo sítio,
os autocarros retomam os seus horários,
as escolas reabrem as portas,
os blazers saltam dos armários,
a hora de almoço volta a ter duração certa. E o tempo para ver os filhos também.
Ou então não.
Escolher é bom, e poder escolher ainda é melhor.
Porque afinal... regras são boas quando não se cumprem.
E nem na natureza há verdades absolutas.


Courgetes Redondas. Toma!



3/15/2013

The retro cook

Encontrar relíquias como este livro, publicado há quase 50 anos pela Verbo, é o que me faz vibrar com tudo o que seja feiras em 2a mão, de antiguidades, velharias ou vendas de garagem.

Encontrámo-lo numa tarde chuvosa, abrigado entre tantos outros livros e sem ver a luz do dia há décadas. Talvez fosse acabar num contentor de reciclagem se não lhe tivessemos pegado.

É um livro de iniciação à culinária de 1966, ilustrado, e de capa dura.

As receitas são de cair para o lado mas para mim não há nada mais retro que as imagens que aqui vos mostro ou a introdução do livro, a dar as boas-vindas às meninas que começam a aprender a cozinhar.

A minha mãe lembra-se de ter crescido com um livro destes em casa e agora a Bel também vai (e custou 1 euro, dá para acreditar?).








3/12/2013

Mercado Agrobio

É mais que rotina, é ritual.
Ir ao mercado agrobio aos Sábados de manhã faz parte da nossa vida como comer e tomar banho.
Lá compramos frutas, legumes, pão, tudo diretamente ao produtor, de forma responsável e sustentável, e por preços equivalentes aos dos grandes supermercados.
Tudo sabe melhor. Seja pela qualidade, pela experiência, ou por os produtos se parecerem com o que são na verdade. Por as maçãs não terem cera, as alfaces trazerem sempre um caracolinho, o alho-francês vir cheio de terra.
Por tudo vir do chão e não ter químicos.
Por as cenouras serem do Algarve e não de Taiwan.
Por o vendedor ser o Sr Vitor e não uma oligarquia anónima que vai aos bolsos de toda a gente incluindo produtores, compradores e empregados.
Por isto tudo e muito mais. E por ser motivo mais que suficiente.

Lista de mercados agrobio:
http://www.agrobio.pt/pt/mercados-agrobio.T194.php

 







3/08/2013

Este dia da mulher...

Para quem não sabe a criação do dia da mulher serviu a muitas campanhas de propaganda política, após nos ter sido gentilmente cedido o direito ao voto, pelos homens.

Eu não gosto do dia da mulher por me soar a palmadinhas nas costas.

'Epá és mulher... must be hard... toma lá uma flor à saída do metro e até para o ano'.

Eu não quero flores por ser mulher.
Nem quero celebrar a minha condição como se vivesse num mundo de igualdade plena entre géneros. Não enquanto houver uma única mulher mutilada, vendida, trocada, queimada, escondida atrás de véus de ignorância e de estupidez.

E também não quero a igualdade. Quero ser igual nas nossas diferenças. Sou diferente dos homens, e gosto. No geral o meu corpo é mais franzino, mais leve e delicado. Há dias no mês em que sou mais emocional do que eles, e outros em que não.
E há alturas na vida em que o meu corpo faz o que jamais corpo masculino algum fará. Gerar, parir, amamentar. São diferenças de celebrar e não de separar.

Eu não quero amostras de cremes.
Não quero ter de ser magra, bonita, maquilhada, depilada. Pelo menos quero poder escolher.
Quero que os meus cabelos brancos tenham tanto charme como os deles.
Quero poder gostar de carros e de futebol. E quero que eles gostem de teatro e de dança. Sem que nada mais seja posto em causa.
E, repito, não quero amostras de cremes.

E quero que as crianças cresçam sem modelagens escondidas.
Quero que a minha filha tenha brinquedos destinados a crianças em vez de brinquedos para rapazes ou raparigas, e que brinquedos intelectualmente estimulantes não sejam exclusivamente brinquedos de rapazes.
Quero que tenha ao seu dispor legos que não sejam cor-de-rosa, quebra-cabeças, jogos científicos, maquetes de montar e desmontar. E que ainda assim possa escolher brincar com bonecos e mudar fraldas e ter aspiradores de plástico, se bem o desejar. Mas que escolha na homogeneidade da oferta. Que possa ser o astronauta em vez da princesa à espera de ser salva.

E não me dêem miniaturas de perfumes.
Nem esperem que mude o meu nome se e quando me casar. Os homens não mudam porquê? Porque ainda há resquícios da mulher passar a ser uma coisa sua, e levar o nome dele como um selo ou símbolo de pertença. Isso eu não quero, mas obrigada.

E as diferenças salariais, de lugares de poder, de mulheres na política e na gestão.
E mais gritantes são as leis da paridade, que amplificam as diferenças e a discriminação ao ponto de ser necessária a criação de legislação para colocar as mulheres em postos de decisão.
Ainda há tanto a fazer... A resolver. A desmistificar. Há muito caminho a percorrer antes de se celebrar seja o que for. Bem sei que caminhamos para lá mas, até que cheguemos..

Não me dêem miniaturas de perfumes...
Guardem as amostras de cremes,
Nem me venham com flores à saída do metro.





2/28/2013

Daily inspiration

Isto de acreditar que TODAS as coisas têm um motivo para acontecer traz grandes vantagens.

O leitor de cds do meu carro avariou. Porque será? 
Provavelmente porque estava farto de passar a mesma coisa, há quase 1 mês... O 'Dentro do mar tem rio', da Bethania:. É lindo, lindo, lindo. 

Mas já estava a ser demais :-)

Então... parada no trânsito da A5 escolho no youtube a 'London London' do Caetano, que só cantada por ele já é maravilhosa.

Há uma frase em particular que me transmite uma vibração qualquer, que vai ao mais puro e primitivo que há em mim: 

'I came around to say yes, and I say'...

Simples mas tão difícil. Como se fosse uma missão. Dizer sim, em vez de não. Ao que me assusta. Ao que me mete medo. Ao que me dá vontade de fugir. Se nasci, que seja para me superar. 
 
Voltando à musica... esbarro-me acidentalmente com uma versão que nunca tinha ouvido / visto, que aqui vos deixo. 

Não sei se é a cumplicidade, a admiração, o envolvimento das vozes, dos olhos, das almas. 
Estes dois juntos são mais que o mundo. Houvesse mais duos assim, nos palcos e na vida. Que dissessem sempre sim ao que são. Em vez de não.



http://www.youtube.com/watch?v=0Q5M6cI0IT4

2/25/2013

We love weekends

Mesmo com frio, mesmo com vento, um fim de semana é um fim de semana. Da mesma forma que um parque é um parque e um lago é um lago. 

E uma família, para mim... é o que dá sentido à existência do parque, o que faz apetecer ir ver o lago, o que faz suspirar pelo fim de semana. 

Vê-los a brincar e a rir. 
Ouvir as gargalhadas dela e estremecer de contentamento, como se fossem as minhas.

E olhar para nós com os olhos de quem nos vê de fora: 
O pai com a máquina fotográfica a correr atrás da mãe, que corre atrás da Bel que corre atrás das galinhas que correm desalmadas para fugir de todos nós. 

E assim.... um parque é mais do que um parque. E um lago é mais que um lago. E um fim de semana é tão mais do que um fim de semana. 




2/12/2013

Por falar em carnaval..

A minha avó adorava o carnaval. 
Isso eu sabia, o que não sabia era que, em Moçambique, não passava um ano sem que se mascarasse (mesmo depois de casar, ter os filhos, etc).

Contou-me o meu pai este domingo que, certo carnaval, a minha avó resolve fazer um fato de esqueleto (daqueles todos pretos da cabeça aos pés, com o desenho dos ossos) para levar a um baile que ia haver essa noite no Dondo (uma localidade em Moçambique).

Do que ela não se lembrou foi das superstições e crenças das pessoas daquele sítio que, até então, nunca tinham visto um esqueleto andante. 

O resultado: uma vintena de locais que, quando viram o esqueleto se assustaram e desataram a correr atrás dele, munidos com paus e afins, para o mandar de volta para o outro mundo de onde certamente teria vindo. 

E reza a história que a minha avó correu como um foguete até casa e que a população só acreditou que não havia um esqueleto a morar na sua habitação quando, no dia seguinte, ela lhes provou que era mesmo só um fato. 

Talvez por isso eu nunca a tenha visto mascarada :-)








  

1/30/2013

Comer o pão que o diabo amassou



'Comer o pão que o diabo amassou'.. ás vezes pergunto-me de onde vêm estes ditos. 

Quem criou este certamente estava na mesma situação que eu. 

Foi às compras num final de tarde e o namorado lembrou-se de comprar farinha para fazer pão caseiro. 

Quase de certeza que esse mesmo namorado também pegou fogo ao forno e encheu a cozinha de fumo, por não tirar do forno o que já lá estava antes de pôr o pão a cozer e, quiçá, também o terá deixado por menos tempo que o indicado na embalagem. 

Talvez... 
  
Vale a boa intenção de tentar comer o pão que o pai amassou, mas de boas intenções... :-)







1/20/2013

Chá das 5 para bebés

A minha avó apresentou-me às coisas boas da vida, desde que me lembro.

Fosse a apreciar as flores da rua, a fazer cisnes e outras figuras com miolo de pão velho, a ir ao aquário Vasco da Gama às 5as feiras e ver tudo, sempre, como se fosse a primeira vez.

Nunca a ouvi refilar, maldizer, queixar-se do que quer que fosse ou desejar que a vida corresse de outra maneira.

Ensinar o entusiasmo às  crianças, para mim, é meio caminho andado para termos adultos motivados e fascinados com a vida.

E esse entusiasmo pratica-se nas pequenas coisas. A minha avó vivia-o através do embelezamento do mais simples, como dar-me a água num copo com palhinha ou, em dias de mais sorte, num copo enfeitado com aqueles chapelinhos de sol que se punham nos cocktails :-) 

Tudo era importante e digno de ser celebrado.

Eu tento seguir o mesmo caminho e fazer a minha filha sentir-se como eu me sentia com pequenos gestos que podem fazer a diferença, como sentá-la à mesa connosco a comer papa de fruta como quem toma chá das 5 com as princesas.


Banana, maçã e amor

1/15/2013

Isn't it ironic... don't you think?

Passou uma vida dedicada à casa. 

Aos filhos, ao marido, a cozinhar, a fazer o que era esperado dela. 

Em 1967, a bordo do paquete Moçambique em visita a Portugal, a avó ganhou esta taça por ter alcançado o 1º lugar na modalidade 'tiro ao prato'. 


Isn't it ironic... don't you think





1/14/2013

Ir ao teatro

A avó Bela vestia-se e penteava-se a preceito sempre que saía. 
Nem que fosse ao mercado, gostava de andar sempre bem apresentada. 

Ontem fomos ao teatro e lembrei-me muito dela (põe uns saltinhos, ajeita o cabelo). Lá pus, lá ajeitei, mas honestamente até descalça ia ver esta peça. 

Rir até não poder mais. Soube bem ver a melhor peça de sempre logo na primeira vez que voltámos a fazer um programa cultural desde que a Bel nasceu. Sorte a dobrar!!!