Bebé altruísta é aquele que te pergunta se és servida da tua própria mama.
11/21/2013
11/18/2013
carpas.
Ontem fomos comer a um restaurante que tem um lago cheio de carpas, um peixe com bigodes mais carente que o raio.
Assim que a Bel se debruçava vinham às dezenas com o rabo a abanar em modo cão e aquela boca a aspirar sei lá que partículas. A Bel delirava, dava-lhes festinhas e falava com elas numa língua que deve ser comum às duas espécies (carpas e bebés). Desde então que não fala noutra coisa. 'O pêxe?', 'ah pêxe mãe?' ...
Há pouco estava super entretida a desenhar nos joelhos (a Bel, não eu) quando de repente deixa cair a caneta no chão e me olha com uns olhos horrorizados, como nunca os tinha visto.
Isabel que foi?
E ela nada. Os olhos cada vez mais abertos, as sobrancelhas mais franzidas, os cantos da boca a descair e o lábio inferior a tremelicar.
Comecei a ficar assustada.
Que foi filha? Fala com a mãe! (disse primeiro de mansinho, depois num tom meio histérico a pensar quem e o quê lhe terão feito para estar nestes preparos).
Ah pêxe mãe! Nã tem nariz!
.......
Volta Jacques Cousteau. A minha casa precisa de ti.
11/06/2013
era uma vez uma diva, #8
Era uma vez uma diva, que era tão diva, tão diva, tão diva, que...
Dada a oportunidade de escolher a sua primeira mala de viagem, ao invés de optar por uma que fosse fácil de carregar, escolheu uma mala que a carregasse a ela.
Diva que é diva não carrega.
Dada a oportunidade de escolher a sua primeira mala de viagem, ao invés de optar por uma que fosse fácil de carregar, escolheu uma mala que a carregasse a ela.
Diva que é diva não carrega.
10/17/2013
Yoga - método Bel
Quando engravidei decidi imediatamente que uma das actividades que gostaria que ela experimentasse era o yoga.
Porque eu gosto, porque me relaxa e ajuda a voltar às raízes.
Ainda experimentámos uma aula de yoga para bebés, teria a Bel uns seis meses, mas a minha diva nunca foi de fazer nada com hora marcada. Fica para mais tarde, pensei eu.
A verdade é que pouco depois apercebi-me que não precisava de levá-la a fazer yoga, porque ela já fazia, naturalmente.
Desde que começou a arrastar-se que a posição da cobra é uma constante, desde que ganhou força no tronco que se senta em posição de lotus, e desde que anda que o estiramento do gato é das suas favoritas. Quando quer e onde quer.
Dizem que o yoga surgiu da observação das posições naturais dos animais e plantas. Eu acredito piamente que, dentro de nós, temos informação inconsciente sobre como estar e o que fazer ao nosso corpo em cada situação. Tal como aconteceu quando a Bel nasceu. É uma sabedoria universal e comum às espécies, aquele tipo de informação que reside no nosso cortex posterior e que, com o passar do tempo, vai sendo substituída por outra menos importante.
Ela pratica yoga, instintivamente. E quando se esquecer, se quiser, vamos às aulas.
Porque eu gosto, porque me relaxa e ajuda a voltar às raízes.
Ainda experimentámos uma aula de yoga para bebés, teria a Bel uns seis meses, mas a minha diva nunca foi de fazer nada com hora marcada. Fica para mais tarde, pensei eu.
A verdade é que pouco depois apercebi-me que não precisava de levá-la a fazer yoga, porque ela já fazia, naturalmente.
Desde que começou a arrastar-se que a posição da cobra é uma constante, desde que ganhou força no tronco que se senta em posição de lotus, e desde que anda que o estiramento do gato é das suas favoritas. Quando quer e onde quer.
Dizem que o yoga surgiu da observação das posições naturais dos animais e plantas. Eu acredito piamente que, dentro de nós, temos informação inconsciente sobre como estar e o que fazer ao nosso corpo em cada situação. Tal como aconteceu quando a Bel nasceu. É uma sabedoria universal e comum às espécies, aquele tipo de informação que reside no nosso cortex posterior e que, com o passar do tempo, vai sendo substituída por outra menos importante.
Ela pratica yoga, instintivamente. E quando se esquecer, se quiser, vamos às aulas.
10/16/2013
10/08/2013
Ler sinais
Podia dizer que aos 23 meses a minha filha já percebe o mundo. Entende as mensagens. Lê os sinais.
Mas não...
... No fundo eu penso é que a minha filha é uma macaca que interpreta os sinais do mundo como melhor lhe convém.
E faz ela muito bem.
Mas não...
E faz ela muito bem.
10/07/2013
Parque infantil comunitário
Ideia para os pais de Portugal:
A câmara cede o espaço, um terreno com uma cerca e uma casinha para guardar as tralhas.
Os pais e as crianças fazem o resto. Não há balouços pregados ao chão. Há brinquedos móveis, cozinhas improvisadas, baldes, regadores, mangueiras. Há poças de água e crianças nuas a chapinhar. Há brincadeiras naturais, descoberta, interacção, comunicação, reciclagem, reutilização.
Há um sentimento de comunidade. Os pais também brincam. As mães amamentam. Tudo ao ritmo das crianças.
Às seis o parque fecha. Todos sem excepção ajudam e arrumam os brinquedos na tal casinha.
Uma voluntária fica com a chave. Esta semana és tu, para a semana sou eu.
As crianças lavam-se, vestem-se, os pais despedem-se. Amanhã o ciclo recomeça.
(Este parque ideal existe. Descobrimo-lo no centro de Barcelona, no parque da cidadela, perto do arco do triunfo.)
A câmara cede o espaço, um terreno com uma cerca e uma casinha para guardar as tralhas.
Os pais e as crianças fazem o resto. Não há balouços pregados ao chão. Há brinquedos móveis, cozinhas improvisadas, baldes, regadores, mangueiras. Há poças de água e crianças nuas a chapinhar. Há brincadeiras naturais, descoberta, interacção, comunicação, reciclagem, reutilização.
Há um sentimento de comunidade. Os pais também brincam. As mães amamentam. Tudo ao ritmo das crianças.
Às seis o parque fecha. Todos sem excepção ajudam e arrumam os brinquedos na tal casinha.
Uma voluntária fica com a chave. Esta semana és tu, para a semana sou eu.
As crianças lavam-se, vestem-se, os pais despedem-se. Amanhã o ciclo recomeça.
(Este parque ideal existe. Descobrimo-lo no centro de Barcelona, no parque da cidadela, perto do arco do triunfo.)
10/02/2013
uma adolescência prévia
Caraças. Eu só estava à espera desta fase daqui a uns treze, catorze anos. Uma adolescência prévia é o que os dois anos são. E não me digam o contrário.
É estar no limbo entre ser-se bebé e criança, como na adolescência se é uma mistura estranha entre uma cabeça de criança e um corpo de adulto.
É querer experimentar o mundo inteiro sem se poder. É querer fazer só o que lhes dá na real gana. É querer sair de casa quando já se devia estar na cama. É querer mandar na vida própria e na vida alheia e ter sempre o não como primeira e última palavra. É fazer cenas no meio da rua. É querer vestir combinações estranhas e deixar o quarto num vendaval americano.
A minha filha entrou na idade do armário mas para o seu tamanho uma gaveta já chegava.
E estas são as tais coisas que não te ensinam nos livros.
É estar no limbo entre ser-se bebé e criança, como na adolescência se é uma mistura estranha entre uma cabeça de criança e um corpo de adulto.
É querer experimentar o mundo inteiro sem se poder. É querer fazer só o que lhes dá na real gana. É querer sair de casa quando já se devia estar na cama. É querer mandar na vida própria e na vida alheia e ter sempre o não como primeira e última palavra. É fazer cenas no meio da rua. É querer vestir combinações estranhas e deixar o quarto num vendaval americano.
A minha filha entrou na idade do armário mas para o seu tamanho uma gaveta já chegava.
E estas são as tais coisas que não te ensinam nos livros.
9/23/2013
'A thief has broken into my soul'
'A
thief has broken into my soul. (s)He left the windows open and the door
ajar. The wind rushes through now. And everything that wasn't stolen
is everything that is important.'
texto lindo daqui
texto lindo daqui
9/12/2013
twilight
A Bel não resiste a um parque infantil.
Sempre que vê um aponta, salta, corre, grita 'Ali! Ali!' e sai disparada.
E ai de nós se não formos lá, nem que seja por 2 minutos.
O pior é ao fim de 5 ou 6 parques seguidos, quando estamos cansados de sacudir areia das sandálias, de a pôr no escorrega, e do castigo que é para sair de lá.
Hoje sucedeu o mesmo, mas oito parques mais tarde o Alberto sucumbiu ao cansaço e respondeu ao 'Ali! Ali!' da Bel com uma desculpa inédita:
- Isabel, aqueles meninos que vês ali... eles não estão lá.
Parou tudo. Ela olhou para ele admirada, olhou para mim e encolheu os ombros.
Acho que imaginou que o pai entrou num twilight e achou por bem não o trazer de lá.
Vida de filha.
Sempre que vê um aponta, salta, corre, grita 'Ali! Ali!' e sai disparada.
E ai de nós se não formos lá, nem que seja por 2 minutos.
O pior é ao fim de 5 ou 6 parques seguidos, quando estamos cansados de sacudir areia das sandálias, de a pôr no escorrega, e do castigo que é para sair de lá.
Hoje sucedeu o mesmo, mas oito parques mais tarde o Alberto sucumbiu ao cansaço e respondeu ao 'Ali! Ali!' da Bel com uma desculpa inédita:
- Isabel, aqueles meninos que vês ali... eles não estão lá.
Parou tudo. Ela olhou para ele admirada, olhou para mim e encolheu os ombros.
Acho que imaginou que o pai entrou num twilight e achou por bem não o trazer de lá.
Vida de filha.
9/06/2013
Bel meets Buda
Primeiro encontrou-o. Grande, gordo, simpático e sorridente. Mãe, oia!!!! Mãe!!!!
Que emoção! Nunca antes vira um boneco assim. Quis tocar-lhe, mão para aqui, dedos para ali....
- Não podes, Bel! Vês esta placa? Diz para não mexer.
Claro... Viro as costas e assim que me volto a virar lá está ela, a afagar-lhe a gorda barriga e a por-lhe o dedito no umbigo. Bel! O que é que a mãe disse? Ri-se como o Buda e esconde-se por trás do vestido...
Em menos de nada voltou. Esperou que eu não estivesse a olhar e tocava-lhe os pés, as unhas, as pernas...
Eu bem dizia - Olha que não se pode. A senhora não quer. O boneco é muito frágil....
Depois de umas quantas festinhas furtivas e de tentativas para a afastar dali lá viu outra coisa qualquer na loja, disse 'tátá' ao Buda e afastou-se... Ou pensei eu... Silly me!
Era um truque para me dar a volta.
Onde anda a Isabel?
O que estará a fazer?!
Pois... o que haveria de ser?
Que emoção! Nunca antes vira um boneco assim. Quis tocar-lhe, mão para aqui, dedos para ali....
- Não podes, Bel! Vês esta placa? Diz para não mexer.
Claro... Viro as costas e assim que me volto a virar lá está ela, a afagar-lhe a gorda barriga e a por-lhe o dedito no umbigo. Bel! O que é que a mãe disse? Ri-se como o Buda e esconde-se por trás do vestido...
Em menos de nada voltou. Esperou que eu não estivesse a olhar e tocava-lhe os pés, as unhas, as pernas...
Eu bem dizia - Olha que não se pode. A senhora não quer. O boneco é muito frágil....
Depois de umas quantas festinhas furtivas e de tentativas para a afastar dali lá viu outra coisa qualquer na loja, disse 'tátá' ao Buda e afastou-se... Ou pensei eu... Silly me!
Era um truque para me dar a volta.
Onde anda a Isabel?
O que estará a fazer?!
Pois... o que haveria de ser?
9/05/2013
Conhecer as educadoras
A Bel foi conhecer as educadoras - A Sandra e a Sílvia.
Para encorajar a aproximação disse-lhe:
-São as nossas novas amigas! Sandra e Sílvia! Diz lá Bel, Sandra e Sílvia.
-Xála e Pila.
Corei.
Elas não perceberam o motivo.
Thanks God we don't speak the same language :-)
Para encorajar a aproximação disse-lhe:
-São as nossas novas amigas! Sandra e Sílvia! Diz lá Bel, Sandra e Sílvia.
-Xála e Pila.
Corei.
Elas não perceberam o motivo.
Thanks God we don't speak the same language :-)
9/04/2013
O sono da diva
A casa está em silêncio. Bebé dorme, pai trabalha, mãe lê.
Subitamente ouve-se uma vozinha ténue 'mãe, mãe'... é a diva que chama.
Espero um pouco, pode ser que adormeça.
Mãe, mãe... o tom de voz aumenta. Corro em seu socorro. 'Tá aqui a mãe, Bel'. Ela abre os olhos, curva o pescoço, olha para mim e diz: Não!
Posto isto volta-se para o outro lado e volta a adormecer.
Vida de mãe.
Subitamente ouve-se uma vozinha ténue 'mãe, mãe'... é a diva que chama.
Espero um pouco, pode ser que adormeça.
Mãe, mãe... o tom de voz aumenta. Corro em seu socorro. 'Tá aqui a mãe, Bel'. Ela abre os olhos, curva o pescoço, olha para mim e diz: Não!
Posto isto volta-se para o outro lado e volta a adormecer.
Vida de mãe.
9/02/2013
Uma escola livre
Há só algo neste sistema educativo instalado que, simplesmente, não encaixa bem connosco. E se já o sentíamos em Portugal, esta mudança permitiu que na nova demanda escolar saíssemos da zona de conforto e fizéssemos uma lista do que não queríamos e do que nos era essencial.
Não queremos:
Fardas nem uniformes.
Escolas em andares ou prédios
Sítios sem pátios ou jardins
Salas sem luz natural
Obrigações e metas padronizadas para as crianças
Aulas de psicomotricidade (deixem-nas soltas e felizes, a brincar aprenderão melhor)
Aulas de inglês (caramba, nem dois anos tem, para se familiarizar com a língua basta-lhe ver a peppa pig em casa)
Aulas de educação emocional (nesta idade... é só a maior banha da cobra de sempre)
Actividades a todas as horas, em todos os dias (Queremos espontaneidade, que seja criativa, que escolha fazer o que mais lhe convém e com quem lhe apetece e seja direccionada nas suas preferências)
Salas fechadas, campainhas, pouca comunicação.
A obsessão pela aprendizagem, aprender coisas, coisas, números, cores, coisas, decora, repete, diz-outra-vez-para-a-mãe-ouvir, coisas, coisas, coisas, pinta dentro do desenho, números, verbos... Há tanto tempo para isso...
Queremos:
Um sítio onde olhem por Ela, onde a alimentem em todos os sentidos. Onde não falte a segurança de se saber querida, onde não haja rigidez e muito menos falta de afecto. Sobretudo queremos um espaço cheio de amor, onde as crianças sejam tratadas como seres humanos e não como telas em branco sem aspirações próprias e vontades distintas. Queremos que cante, que dance, que seja feliz e mantenha sempre aquele brilho no olhar. Que coma se lhe apetecer, que durma se estiver cansada, que pinte se quiser, que deixe a fralda quando estiver preparada. Que nunca se compare aos outros, que goste das pessoas e se sinta em casa no mundo. Que seja feliz. Que seja amada. Que seja respeitada e que a sua condição de criança potencie tudo isto e muito mais, e não o contrário. Em suma... Queremos uma escola livre. No sentido lato da palavra. E encontrámos- pede e receberás- Não é genial?
8/30/2013
O dia em que me tornei avó
Foi bonito. Vê-la, sangue do meu sangue, a levar a minha neta de plástico rua acima. Foi comovente ver como já há o instinto. A forma cuidadosa como a colocou no carrinho e a delicadeza com que a empurrava contra protegia das portas.
Ainda que precocemente, dei por mim a fazer castelos no ar sobre esse dia mais que sagrado em que a minha filha vai viver o mesmo que eu vivo desde que Ela nasceu.
Pus-me a imaginar detalhes, cheiros, risos.
Como vai ser, onde estaremos, o que vamos sentir.
Mas esse castelo no ar desmoronou-se subitamente, quando vejo a minha pobre neta de plástico sozinha no carrinho, em alta velocidade rua abaixo, abandonada pela mãe e trocada por um escorrega.
8/28/2013
O homem da música
Foi hippie, concerteza. A barba e as calças à boca de sino não enganam ninguém. Chega com a sua caixa de música colossal atrelada à bicicleta. Senta-se no chão, pernas à chinês. Dá à manivela, cumprimenta-nos, a Bel dança. As pessoas atrasam o passo para ver o show do velho e da bebé. Algumas batem palmas. Ele pára. Acende e fuma um cigaro.
'Mais!' diz a
Bel.
Ele olha para ela e sorri. Acena com a cabeça, apaga o cigarro,
guarda a beata no bolso para mais tarde e o espectáculo recomeça.
8/12/2013
era uma vez uma diva, #5 (em Sevilha)
Era uma vez uma diva, que era tão diva, tão diva, tão diva que...
Após uma longa e esgotante sessão de degustação de tapas lá assumiu ter gostado das croquetas de jamón. A custo, lá nos fez o obséquio de comer duas, mas só os rabinhos, que são crocantes. O resto fica para vocês.
Após uma longa e esgotante sessão de degustação de tapas lá assumiu ter gostado das croquetas de jamón. A custo, lá nos fez o obséquio de comer duas, mas só os rabinhos, que são crocantes. O resto fica para vocês.
8/10/2013
Regressar
Este voltar de férias tem cheiro a visita de médico. Em menos de nada vamos viver para Barcelona 4 meses, em duas semanas, mais coisa menos coisa. É desfazer malas e fazer, novamente.
Deixar cá a roupa leve, os vestidos, as sandálias. Levar casacos e calças, já para tamanho dois anos, que vão ser celebrados por lá.
É um regresso quase melancólico, este. Já tenho saudades desta casa, deste mar, destas pessoas.
De ter os avós aqui tão perto e a amiga Maria na porta em frente.
Das pessoas que me são queridas e dos estranhos que já conheço tão bem.
Da rotina do parque ao final da tarde, da segurança da escola e das educadoras.
Mas isto... é uma fórmula que resulta e que está cá à nossa espera, quando voltarmos.
Agora está na hora de inspirar bem fundo, encher o peito de ar, ombros para trás, cabeça erguida.
Há malas por fazer. Há uma nova fase para viver.
Novas pessoas para gostar, uma casa para chamar nossa.
Quero que a minha filha saiba que o mundo é um lugar seguro, que confie sempre na vida e que agradeça e aproveite as oportunidades que ela nos dá.
Que saiba que recebemos o que emitimos e também que saiba e sinta assim porque viu os pais a fazer o mesmo.
E é por isto que estamos prontos.
Deixar cá a roupa leve, os vestidos, as sandálias. Levar casacos e calças, já para tamanho dois anos, que vão ser celebrados por lá.
É um regresso quase melancólico, este. Já tenho saudades desta casa, deste mar, destas pessoas.
De ter os avós aqui tão perto e a amiga Maria na porta em frente.
Das pessoas que me são queridas e dos estranhos que já conheço tão bem.
Da rotina do parque ao final da tarde, da segurança da escola e das educadoras.
Mas isto... é uma fórmula que resulta e que está cá à nossa espera, quando voltarmos.
Agora está na hora de inspirar bem fundo, encher o peito de ar, ombros para trás, cabeça erguida.
Há malas por fazer. Há uma nova fase para viver.
Novas pessoas para gostar, uma casa para chamar nossa.
Quero que a minha filha saiba que o mundo é um lugar seguro, que confie sempre na vida e que agradeça e aproveite as oportunidades que ela nos dá.
Que saiba que recebemos o que emitimos e também que saiba e sinta assim porque viu os pais a fazer o mesmo.
E é por isto que estamos prontos.
8/01/2013
Semana Mundial da Amamentação
A amamentação é dos meus tópicos favoritos. É algo que faz parte da minha/nossa rotina há mais tempo do que planeava, e que me enche de amor.
Hove alturas em que acreditei que amamentar estava a fazer-me mal, que já era demais, que já estava desgastada, cansada, com poucas horas de sono, and so on...
Hoje, 21 meses volvidos, sei que não foi amamentar que me fez sentir assim.
Amamentar não cansa, não desgasta.
O que desgasta é teres de ser mãe e outras 1001 coisas tão menos importantes ao mesmo tempo.
O que cansa é teres de deixar a tua filha numa creche 8 horas por dia, e sentirem tanto a falta uma da outra que, obviamente, ela se farta de acordar durante a noite (numa tentativa, creio, de colmatar as horas que não passámos durante o dia) para mamar.
E isto é que é demais. Viver num mundo à pressa, onde mães vão parir num dia e, 3/6 meses depois, voltam à rotina que tinham antes, quase sempre contariadas, quase sempre cheias de culpa, quase sempre com uma voz que lhes diz lá dentro (isto não pode estar certo).
Amamentar não cansa, não.
Amamentar não é feio, não é sexual, não devia ser banido em tantos lados nem ninguém devia julgar uma mulher que alimenta o seu filho.
O mais curioso é que as vozes que criticam, que contrariam, que julgam e dizem ser demais, por exemplo, fotos de mulheres a amamentar na web, são precisamente outras mulheres, na sua maioria mães.
Vá-se lá perceber este mundo.
Eu já estou feliz por ter percebido que não é amamentar que me cansa.
E, aos poucos, dedico-me só ao que me faz feliz.
7/29/2013
Saia ou vestido?
De entre as várias coisas que guardei da minha avó estava uma saia. Era azul às riscas (tecido tipo camisa de homem) com botões à frente, comprimento abaixo dos joelhos.
A verdade é que nunca usei e estava para aqui, como tantas outras coisas que guardei dela, fechada num saco, sem trazer nada de novo ao mundo. Mas tive a sorte de conhecer uma pessoa muito especial que se ofereceu a ajudar-me a dar nova vida aos tantos panos, tecidos e roupas que me são tão queridos mas, no seu estado original, me servem de tão pouco.
Então, fica aqui a primeira transformação- a saia é agora um vestido para a Bel. Sim, a saia que tapava as pernocas da minha avó, agora veste o corpo da minha filha.
É a regra dos 3 R's: reciclar, reutilizar e... raparigar.
A verdade é que nunca usei e estava para aqui, como tantas outras coisas que guardei dela, fechada num saco, sem trazer nada de novo ao mundo. Mas tive a sorte de conhecer uma pessoa muito especial que se ofereceu a ajudar-me a dar nova vida aos tantos panos, tecidos e roupas que me são tão queridos mas, no seu estado original, me servem de tão pouco.
Então, fica aqui a primeira transformação- a saia é agora um vestido para a Bel. Sim, a saia que tapava as pernocas da minha avó, agora veste o corpo da minha filha.
É a regra dos 3 R's: reciclar, reutilizar e... raparigar.
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