Um dia bom. Um dia extremamente bom. Um dia que acolheu acontecimentos suficientes para tornar boa uma vida inteira.
Nasceram dois bebés de duas mulheres que eu amo.
Nasceu ainda neste dia (ainda que há mais anos) a mãe da minha irmã de alma.
E casou uma das minhas amigas mais preciosas e bem guardadas.
Foi um dia em que tudo aconteceu em diferentes partes do mundo: Barcelona, Escócia, Moçambique e Áustria.
E aconteceu precisamente na altura em que, pela primeira vez em quatro meses, regressámos a casa.
Este dia vibrou e pulsou boas energias. Foi um dia para renascer, um dia de renovar.
E neste dia tão especial, enquanto tudo de tão bom acontecia, nós passeámos as duas.
Não fizemos muito mais. Hoje escolhemos ver a vida a acontecer.
12/04/2013
12/02/2013
uma mercearia do tempo da minha avó
Estas tais lojas de outros tempos, com este cheiro a chocolate à chuva e a café acabado de moer.
Com um sorriso à tua espera atrás do balcão, que te serve os produtos em sacos de papel e arredonda o peso das coisas sempre em teu proveito.
São estes tais lugares que ligam esta terra à minha e que me fazem sentir em casa, numa linha do tempo em que o regresso a casa significa regressar aos braços de pessoas que já cá não estão.
Passear pelas ruas da cidade cheias de gente e de carros, cheiro a lareira e a castanha assada, o nariz frio, gorro, cachecol e luvas. Chegar à cintura da minha avó, ver tudo pela mão dela, através dos olhos dela, sempre sem pressa, sempre como se fosse a primeira vez.
Foram tantas as memórias, e tão boas.
Foi voltar aos meus sítios favoritos, aos meus cheiros predilectos, às personagens da minha história de outros dias.
E afinal era só uma mercearia que estava aqui, no caminho para casa.
Com um sorriso à tua espera atrás do balcão, que te serve os produtos em sacos de papel e arredonda o peso das coisas sempre em teu proveito.
São estes tais lugares que ligam esta terra à minha e que me fazem sentir em casa, numa linha do tempo em que o regresso a casa significa regressar aos braços de pessoas que já cá não estão.
Passear pelas ruas da cidade cheias de gente e de carros, cheiro a lareira e a castanha assada, o nariz frio, gorro, cachecol e luvas. Chegar à cintura da minha avó, ver tudo pela mão dela, através dos olhos dela, sempre sem pressa, sempre como se fosse a primeira vez.
Foram tantas as memórias, e tão boas.
Foi voltar aos meus sítios favoritos, aos meus cheiros predilectos, às personagens da minha história de outros dias.
E afinal era só uma mercearia que estava aqui, no caminho para casa.
11/16/2013
Mescladís
É um café numa praça cheia de sol onde param músicos de cá e lá, há comida local e uma atmosfera muito positiva. Está decorado com objectos interessantes, brinquedos antigos e revistas de outros tempos. Mas é mais do que isto. O Mescladís também é um projecto muito digno, sem fins lucrativos, de inserção social e laboral de emigrantes e exilados que tiveram de sair dos seus países de origem. O Mescladís faz a ponte entre a vida velha e a vida nova de centenas de pessoas. É um símbolo de esperança e de vontade. E nós adoramos lá ir.
http://www.mescladis.org/es/
http://www.mescladis.org/es/
11/12/2013
fazer
Fazer o que se quer. Fazer o que se sente. Ir ao sabor do vento. Gostar de conforto e ainda mais do desafio. Ler sinais. Ouvir a voz interior. Seguir sonhos e intuições. Contradizer a racionalidade. Relativizar as expectativas alheias. Saber quem somos. Não saber para onde vamos. Amar muito. Amar descalço. Amar à chuva. Não ter medo do desapego nem de deixar ir quem tem de ir. Ter ambições. Ter humildade. E viver com a certeza de que um dia, quando formos velhos, é através das memórias que vamos gozar a vida.
Viver para que valha a pena recordar. Creio que deve ser mais ou menos isto.
Viver para que valha a pena recordar. Creio que deve ser mais ou menos isto.
11/11/2013
quando as paredes confessam, #4
El Aniquilador
É um ou uma fulana que podia passar os serões em família ou entre amigos, como tu e eu.
Podia escolher actividades normais e ter hobbies socialmente aceites, como tu e eu. Vá, até podia sair da rotina aqui e ali, fazer coisas impróprias para a sua idade ou que a mãe não aprovaria (como tu e eu).
Mas não. O aniquilador, como se auto-intitula, resolve sair pela calada da noite pelas ruas de Barcelona e tapar com uma folha branca todo o tipo de propaganda política e comercial que se faz pelas paredes e postes.
Deixa ficar à vista os graffitis, stencils, mensagens de amor.
É como um Robin dos Bosques versão urbana que não rouba nada a ninguém mas poupa-nos das tentativas de influência e persuasão a que estamos expostos diariamente, muitas vezes até de forma subliminar. Aniquila o que não interessa. El Aniquilador é inspirador.
É um ou uma fulana que podia passar os serões em família ou entre amigos, como tu e eu.
Podia escolher actividades normais e ter hobbies socialmente aceites, como tu e eu. Vá, até podia sair da rotina aqui e ali, fazer coisas impróprias para a sua idade ou que a mãe não aprovaria (como tu e eu).
Mas não. O aniquilador, como se auto-intitula, resolve sair pela calada da noite pelas ruas de Barcelona e tapar com uma folha branca todo o tipo de propaganda política e comercial que se faz pelas paredes e postes.
Deixa ficar à vista os graffitis, stencils, mensagens de amor.
É como um Robin dos Bosques versão urbana que não rouba nada a ninguém mas poupa-nos das tentativas de influência e persuasão a que estamos expostos diariamente, muitas vezes até de forma subliminar. Aniquila o que não interessa. El Aniquilador é inspirador.
11/04/2013
10/28/2013
estranhos
Fotos antigas num mercado de antiguidades.
Imagens com gente dentro, com vidas de outros tempos.
Outras classes e outros costumes. Outras épocas.
Eu podia passar horas a ver fotos antigas de estranhos.
São viagens gratuitas e privilegiadas.
É ir num pé e vir no outro até um tempo que existiu quando ainda eu não era gente.
Imagens com gente dentro, com vidas de outros tempos.
Outras classes e outros costumes. Outras épocas.
Eu podia passar horas a ver fotos antigas de estranhos.
São viagens gratuitas e privilegiadas.
É ir num pé e vir no outro até um tempo que existiu quando ainda eu não era gente.
10/22/2013
quando as paredes confessam, #3
Se a tua lã já não te basta...
Compra carneirada, compra!
O que importa é estar bonito.
E enquanto os carneiros contam sacos, eles contam os lucros.
Compra carneirada, compra!
O que importa é estar bonito.
10/14/2013
quando as paredes confessam, #2
Ás vezes pergunto-me como é que numa sociedade civilizada e a transbordar de opções ainda se colocam questões como esta.
O inverno está a bater à porta. Na nossa casa, a crueldade fica do lado de fora.
O inverno está a bater à porta. Na nossa casa, a crueldade fica do lado de fora.
10/11/2013
Quando as paredes confessam, #1
Barcelona está cheia de reivindicações. De mensagens. De lutas.
São pessoas com vontade. Com opiniões. Com tomates (seja lá o que isso for).
E eu vou começar a partilhar aqui convosco as mensagens e imagens que me fizerem sentido.
O próximo passo é ir eu pintar paredes :-)
São pessoas com vontade. Com opiniões. Com tomates (seja lá o que isso for).
E eu vou começar a partilhar aqui convosco as mensagens e imagens que me fizerem sentido.
O próximo passo é ir eu pintar paredes :-)
9/29/2013
Domingos bons
São domingos em que ninguém se queixa por vir aí mais uma segunda. São dias de celebrar a amizade. São dias de inspirar os últimos raios de sol, de pintar no meio da rua, de ganhar pincéis que se encaixam nos dedos, e de rir até não poder mais.
São a melhor forma de acabar e começar uma semana.
São a melhor forma de acabar e começar uma semana.
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