Quando a minha avó me adormecia, cantava uma canção que já outras mulheres lhe cantariam a ela quando era pequena.
A canção dizia assim:
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaz
Ser menina, que tristeza,
que impressão que isto me faz
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaaaaaz
Ser menina, que tristeza -ai, ai -
que impressão que isto me faz
Triste sorte foi a minha
Ter as orelhas furadas
E viver com tias velhas
E já todas desdentadas
O papá ralha comigo
A mamã e as maninhas
Comigo andam zangados
até os patos e as galinhas
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaz
Ser menina, que tristeza,
que impressão que isto me faz
Quem me dera, quem me dera,
quem me dera ser rapaaaaaz
Ser menina, que tristeza -ai, ai -
que impressão que isto me faz
Ir no domingo à missa, ver o luxo à Trindade
Eu gostaria imenso, de ir à minha vontade
De casaco e de cartola, e bengalinha na mão
So a ideia me consola mas que grande figurão.
4/27/2015
4/22/2015
A curiosa rotina do encantador de peixes
Foi no Sábado, o passeio do costume. Calcar as Ramblas até ao fundo, parar nos leões do Colombo, atravessar a estrada até à feira de velharias do Porto. Aí encontrou uma barbie, com cabelo feito rastas, que queria porque queria e eu, nas minhas filosofias de lhe ensinar que comprar tudo novo nem sempre é bom para o planeta... acedi. Três euros da minha vida por uma boneca que sabe deus, aquele cabelo... Foi a actividade do fim de dia de onte, amaciador às carradas e corte de cabelo novo. Depois falo sobre isso. A conversa de hoje é sobre outra coisa. Voltemos ao passeio.
Atravessamos a ponte do porto. Um dia cheio de sol e de turistas, e é tão bom já não sermos turistas nesta cidade. O mar ao lado. As gaivotas a cantar. Umas cinco crianças a rir alto, qual flautistas de Pan, como íman atraem mãe e filha. O motivo - centenas de peixes pretos, enormes, parecem botas a nadar. Amontoam-se ao lado da ponte. Cá em cima, a olhá-los com ares de Deus ou de domador, um velhote de cabelos compridos, todo ele sorrisos, todo ele palavras. Tinha 3 sacos cheios de baguettes. Ia partindo bocados de pão e atirava-os aos peixes, às crianças, aos pais, que nada faltasse para que todos se divertissem. E falava, falava... Como nos chamávamos, de onde éramos, se gostávamos de peixes, que é muito importante gostar dos peixes. E os ditos a comer, tudo a alimentá-los. Toma lá mais um bocado de pão. Explica-nos em catalão que vai às padarias dos paquistaneses onde lhe fazem as quatro baguetes por um euro, "os paquistaneses, são uma maravilha para os negócios, uma pechincha, nada paga estas manhãs".
Gasta cinco euros e vem com 20 baguettes debaixo do braço - também podia trazer pão duro, que lho dariam de graça, mas não quer, que as crianças às vezes comem os troços que lhes dá e as crianças não podem comer mau pão. Vai ali há cinco anos. Todos os sábados, menos quando chove. No final, quando se acaba o pão, tem um prémio para todos, que tão bem o atirámos aos peixes. Que fechemos os olhos, um dois três - Sugos!!! Chegam mesmo à conta, parece que adivinhou.
E é assim que decide ocupar os sábados. A fazer os peixes e as pessoas felizes. Não houve ninguém que saísse dali sem lhe dar dois beijos e agradecer. Ele podia perfeitamente estar ali sozinho, a atirar o seu pão. Mas partilha, chama, conta, ri. Sabe que a vida, quando é partilhada, pode ser tão mais que mais-ou-menos. Lembrou-me o velho do adeus, ali no Saldanha. Esta cidade ensina-me todos os dias. É mais que um sítio onde se vive. É um estado de espírito.
Atravessamos a ponte do porto. Um dia cheio de sol e de turistas, e é tão bom já não sermos turistas nesta cidade. O mar ao lado. As gaivotas a cantar. Umas cinco crianças a rir alto, qual flautistas de Pan, como íman atraem mãe e filha. O motivo - centenas de peixes pretos, enormes, parecem botas a nadar. Amontoam-se ao lado da ponte. Cá em cima, a olhá-los com ares de Deus ou de domador, um velhote de cabelos compridos, todo ele sorrisos, todo ele palavras. Tinha 3 sacos cheios de baguettes. Ia partindo bocados de pão e atirava-os aos peixes, às crianças, aos pais, que nada faltasse para que todos se divertissem. E falava, falava... Como nos chamávamos, de onde éramos, se gostávamos de peixes, que é muito importante gostar dos peixes. E os ditos a comer, tudo a alimentá-los. Toma lá mais um bocado de pão. Explica-nos em catalão que vai às padarias dos paquistaneses onde lhe fazem as quatro baguetes por um euro, "os paquistaneses, são uma maravilha para os negócios, uma pechincha, nada paga estas manhãs".
Gasta cinco euros e vem com 20 baguettes debaixo do braço - também podia trazer pão duro, que lho dariam de graça, mas não quer, que as crianças às vezes comem os troços que lhes dá e as crianças não podem comer mau pão. Vai ali há cinco anos. Todos os sábados, menos quando chove. No final, quando se acaba o pão, tem um prémio para todos, que tão bem o atirámos aos peixes. Que fechemos os olhos, um dois três - Sugos!!! Chegam mesmo à conta, parece que adivinhou.
E é assim que decide ocupar os sábados. A fazer os peixes e as pessoas felizes. Não houve ninguém que saísse dali sem lhe dar dois beijos e agradecer. Ele podia perfeitamente estar ali sozinho, a atirar o seu pão. Mas partilha, chama, conta, ri. Sabe que a vida, quando é partilhada, pode ser tão mais que mais-ou-menos. Lembrou-me o velho do adeus, ali no Saldanha. Esta cidade ensina-me todos os dias. É mais que um sítio onde se vive. É um estado de espírito.
4/21/2015
Vamos falar de desmame
Desmame é uma palavra horrível. Lembra-me sempre pessoas a deixar medicação e coisas que tais.
Deixar de mamar, parar de mamar, largar a mama, vá como preferirem. Qualquer uma destas é melhor. Por cá aconteceu dia 17 de Abril deste ano, naturalmente e sem imposições, como sempre desejei (e acredito que ela também).
Ás vezes dá saudades, ai se dá, daquele quentinho, das festinhas que me dava na cara nestes momentos, do cheiro do cabelo dela ali tão perto, de pegar nela como se fosse (e se era) o meu bebé.
Mas depois, epá, e tinha mesmo de escrever um "epá" aqui, um epá de alívio, de mãos para baixo, de sorriso de orelha a orelha e braços no ar. É que é uma sensação de liberdade, 3 anos e meio depois, reaver o meu próprio corpo, que nem se explica.
E no fundo são duas sensações tão díspares (a de saudades do passado e de alegria pelo presente) e tão igualmente fortes que acabam por se complementar e deixar o meu coração numa paz perfeita e completa.
Na verdade durou o que tinha que durar, o suficiente para me deixar exausta mas não demasiado para ter deixado tantas saudades.
E o mais curioso disto tudo é que ela deixou de mamar no mesmo dia em que a minha avó nos deixou, doze anos antes. Lei de Lavoisier. A vida é mesmo mágica.
Deixar de mamar, parar de mamar, largar a mama, vá como preferirem. Qualquer uma destas é melhor. Por cá aconteceu dia 17 de Abril deste ano, naturalmente e sem imposições, como sempre desejei (e acredito que ela também).
Ás vezes dá saudades, ai se dá, daquele quentinho, das festinhas que me dava na cara nestes momentos, do cheiro do cabelo dela ali tão perto, de pegar nela como se fosse (e se era) o meu bebé.
Mas depois, epá, e tinha mesmo de escrever um "epá" aqui, um epá de alívio, de mãos para baixo, de sorriso de orelha a orelha e braços no ar. É que é uma sensação de liberdade, 3 anos e meio depois, reaver o meu próprio corpo, que nem se explica.
E no fundo são duas sensações tão díspares (a de saudades do passado e de alegria pelo presente) e tão igualmente fortes que acabam por se complementar e deixar o meu coração numa paz perfeita e completa.
Na verdade durou o que tinha que durar, o suficiente para me deixar exausta mas não demasiado para ter deixado tantas saudades.
E o mais curioso disto tudo é que ela deixou de mamar no mesmo dia em que a minha avó nos deixou, doze anos antes. Lei de Lavoisier. A vida é mesmo mágica.
4/01/2015
Dia 1 de Abril para crianças
Get ready Bel :) MUAHAHAHAHAAHHAHA
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| imagem roubada daqui:http://diply.com/different-solutions/ways-to-win-at-parenting-this-april-fools-day/109183/3 |
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