5/24/2014
ai.
Amanhã tenho de viajar e vou passar duas noites sem a minha filha. Duas noites a dormir oito horas seguidas. Pelo menos. Duas noites sem pés na cara, sem sonhos intrometidos, sem àgua às seis da manhã e sem acordar inevitavelmente às 7h30. Não quero.
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Maternidade
5/21/2014
Meias verdades para garantizar a boa conduta populacional (garantizar é garantir à espanhola.)
Nunca é tarde para quem acorda cedo. Quem guarda acha. Quem espera sempre alcança. Quado o sol nasce é para todos. Quem dá aos pobres empresta a deus. O pássaro madrugador é que apanha a minhoca. Deus escreve direito por linhas tortas. Marés calmas não fazem bons marinheiros. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. O saber não ocupa lugar. Quem semeia ventos colhe tempestades. No poupar é que está o ganho (Sendo esta última particularmente falaciosa, sobretudo para quem desconta em Portugal).
5/20/2014
Começar o dia com poesia
No outro dia, a propósito de uma notícia sobre a aparência microscópica dos diversos tipos de lágrimas (vê aqui), alguém me recordou deste poema.
É simples, é lindo, é simplesmente lindo e lindo de tão simples que é.
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ógio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão
É simples, é lindo, é simplesmente lindo e lindo de tão simples que é.
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ógio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão
5/16/2014
olhó ditado
Mais um novo ditado popular criado por minha adorável pessoa:
Em dias de constipação não te afastes do fogão
Mas porquê, perguntam vocês, que mensagem metaforico-subliminar de profundidade acrescida se esconde por detrás de tão singelo dito?
Nenhuma. É mesmo o que está lá escrito. Se estás constipad@ com o sentido olfactivo debilitado, as probabilidades de deixares queimar o jantar são estatisticamente significativas (p < .001)
Vou jantar fora.
Em dias de constipação não te afastes do fogão
Mas porquê, perguntam vocês, que mensagem metaforico-subliminar de profundidade acrescida se esconde por detrás de tão singelo dito?
Nenhuma. É mesmo o que está lá escrito. Se estás constipad@ com o sentido olfactivo debilitado, as probabilidades de deixares queimar o jantar são estatisticamente significativas (p < .001)
Vou jantar fora.
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cochichos
5/15/2014
Weird
A minha filha está com febre. Disse-lhe que tinha de tomar o xarope. Ela diz que não, que precisa
é de pôr o vestido azul. E ali está, estendida na cama de azul vestida, a melhorar aos poucos.
Cromoterapia intuitiva senhores?
é de pôr o vestido azul. E ali está, estendida na cama de azul vestida, a melhorar aos poucos.
Cromoterapia intuitiva senhores?
5/13/2014
Começar o dia com poesia
Ai, quem me dera (Vinícius de Moraes)
Ai, quem me dera terminasse a espera
Retornasse o canto simples e sem fim
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim
Ai, quem me dera ver morrrer a fera
Ver nascer o anjo, ver brotar a flor
Ai, quem me dera uma manhã feliz
Ai, quem me dera uma estação de amor
Ah, se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem casais
Ai, quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim
Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E, finda a espera, ouvir na primavera
Alguém chamar por mim
Ai, quem me dera terminasse a espera
Retornasse o canto simples e sem fim
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim
Ai, quem me dera ver morrrer a fera
Ver nascer o anjo, ver brotar a flor
Ai, quem me dera uma manhã feliz
Ai, quem me dera uma estação de amor
Ah, se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem casais
Ai, quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim
Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E, finda a espera, ouvir na primavera
Alguém chamar por mim
5/12/2014
5/11/2014
Tccchhhhht
Hoje fomos ao parque. Uma mãe assim meio para o histérica comunicava com o seu filho através do som (bem alto por sinal) TCCCCCHHHHHTTTT. O miúdo escorragava e a mãe Tccchhhhht, o miúdo comia areia e a mãe Tccchhhhht, um dedo no nariz, e a mãe Tccchhhhht. A Bel a achar aquilo muito estranho.
Voltámos para casa. Tomámos banho, jantámos, vestimos o pijama, 'ai que já passa das nove Bel, tens de ir para cama'. Bel não vai de modas, olha-me autoritariamente e dá-me um 'Tccchhhhht!'.
Aqui têm um forte e real exemplo da aprendizagem por observação (e seus efeitos de modelagem) defendida por Bandura.
Boa noite minha gente. E Tccchhhhht.
Pessoas, Bandura.

Bandura, pessoas.
Voltámos para casa. Tomámos banho, jantámos, vestimos o pijama, 'ai que já passa das nove Bel, tens de ir para cama'. Bel não vai de modas, olha-me autoritariamente e dá-me um 'Tccchhhhht!'.
Aqui têm um forte e real exemplo da aprendizagem por observação (e seus efeitos de modelagem) defendida por Bandura.
Boa noite minha gente. E Tccchhhhht.
Pessoas, Bandura.

Bandura, pessoas.
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Maternidade
5/10/2014
Inspiração - Inspiração
Se calhar já todos vocês tinham pensado nisto. Eu não. A palavra inspiração - esse estado mais que sublime que resulta em desfrute e criação - é igual à palavra inspiração, de respirar, tomar ar, viver.
E pus-me a pensar em tantas coisas, em memórias olfactivas (o cheiro da minha avó, por exemplo), nos nossos sentidos e em como o inspirar nos invade o cérebro, o coração, o corpo (seja ar puro, seja pão quente, seja a pele de quem nos apaixona). Inspirar é vital. E estar inspirado também. E percebi estas coisas porque ando inspirada com pessoas que me inspiram. É uma dádiva termos gente assim na nossa vida, mas também é uma obrigação procurá-las. Se não nos rodeamos com gente que nos ensina, que nos mostra formas alternativas de ser, que (sem saber) nos puxa para um lado maior e mais inteiro, vamos definhando lentamente.
Quando vim para Barcelona pensei que me ia sentir só. Ao princípio aconteceu. Depois comecei por trabalhar com uma pessoa inspiradora. Encontrei uma amiga-mais-irmã que sempre me soube inspirar. E como tudo se multiplica reencontrei há dias, 15 anos depois, uma grande grande amiga com quem cresci que não só mora na mesma região que eu como decidiu ouvir-se e ao seu talento e vive a vida a fazer (só) o que gosta. Um dia destes venho falar-vos sobre ela. Hoje serviu para falar de mim e do que ando a fazer: a aprender tanto com esta gente que nem suspeita do quanto me ensina.
E pus-me a pensar em tantas coisas, em memórias olfactivas (o cheiro da minha avó, por exemplo), nos nossos sentidos e em como o inspirar nos invade o cérebro, o coração, o corpo (seja ar puro, seja pão quente, seja a pele de quem nos apaixona). Inspirar é vital. E estar inspirado também. E percebi estas coisas porque ando inspirada com pessoas que me inspiram. É uma dádiva termos gente assim na nossa vida, mas também é uma obrigação procurá-las. Se não nos rodeamos com gente que nos ensina, que nos mostra formas alternativas de ser, que (sem saber) nos puxa para um lado maior e mais inteiro, vamos definhando lentamente.
Quando vim para Barcelona pensei que me ia sentir só. Ao princípio aconteceu. Depois comecei por trabalhar com uma pessoa inspiradora. Encontrei uma amiga-mais-irmã que sempre me soube inspirar. E como tudo se multiplica reencontrei há dias, 15 anos depois, uma grande grande amiga com quem cresci que não só mora na mesma região que eu como decidiu ouvir-se e ao seu talento e vive a vida a fazer (só) o que gosta. Um dia destes venho falar-vos sobre ela. Hoje serviu para falar de mim e do que ando a fazer: a aprender tanto com esta gente que nem suspeita do quanto me ensina.
5/09/2014
Começar o dia com poesia
Todas as cartas de amor são ridículas.
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
5/06/2014
Desgoverno.
"Perguntam-me muitas vezes por que motivo nunca falo do governo nestas crónicas e a pergunta surpreende-me sempre. Qual Governo? É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento.
Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?
É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal".
António Lobo Antunes
Comunicado à nação
| imagem roubada da net |
Sabeis que vos quero muito, creio que vós a mim também.
Chegou a hora de mostrardes que a dedicação é recíproca:
Preciso de alguém de matemáticas aplicadas com conhecimentos em Markov Chains ou SAS statistic. Ao leitor que me ponha em contacto com sapientíssima pessoa juro devoção eterna e um pézinho de salsa.
![]() |
| imagem roubada da net |
5/01/2014
É muita fruta.
Ontem fomos levá-la à escola e, no caminho de regresso, vimos 4 caixas de fruta vazias em frente à frutaria do nosso bairro, prontas a ir para o lixo.
A nossa filha está a entrar na idade em que adora brincar às casinhas, às mães e aos bebés, com os instintos maternos a despertar dentro dela.
O problema, parte I: Os brinquedos que tem são quase todos legos, puzzles, instrumentos musicais e coisas do género.
O problema, parte II: Jamais pagarei uma dinheirama por cozinhas e camas de plástico feitas sabe deus onde e com que materiais, que daqui a dois ou três anos não vão ter qualquer uso.
A solução:
1:
2 (desenhar o fogão):
3 (cozinhar):
Caixas da fruta ... are a mom's best friend!
A nossa filha está a entrar na idade em que adora brincar às casinhas, às mães e aos bebés, com os instintos maternos a despertar dentro dela.
O problema, parte I: Os brinquedos que tem são quase todos legos, puzzles, instrumentos musicais e coisas do género.
O problema, parte II: Jamais pagarei uma dinheirama por cozinhas e camas de plástico feitas sabe deus onde e com que materiais, que daqui a dois ou três anos não vão ter qualquer uso.
A solução:
1:
2 (desenhar o fogão):
3 (cozinhar):
4 (pôr a mesa):
5 (e deitar os miúdos):
Alia-se a criatividade à sustentabilidade enquanto se brinca e a mãe canta baixinho:
Caixas da fruta ... are a mom's best friend!
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Maternidade
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