4/30/2014

Pele



Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele

David Mourão Ferreira

Laura Bissett 2
Laura Bissett photography project (clica aqui)



4/28/2014

Fátima, S.A.

Para mim, que sempre fui uma céptica da igreja, ouvir este padre foi uma revelação do que ela se pode vir a tornar caso surjam outras vozes como a dele.





4/27/2014

sobre coisas que não interessam a ninguém

A pessoa vai a Portugal de férias e recebe uma sms de uma perfumaria a anunciar 20% de desconto em qualquer compra nos próximos 5 dias. Rita desloca-se alegremente à perfumaria porque tem a pele arrepanhada de seca que está, e quer comprar um creme hidratante simples, de pôr de manhã quando se lembra, já agora com desconto. A pessoa entra na perfumaria e fica a olhar para as centenas de milhares de frascos de banha da cob... de produtos, com preços que vão dos 10 aos 300 euros (really?) e tudo o que quer é um creme simples. Para a pele. Da cara. A menina da perfumaria vê Rita em alvoroço, quase a virar  costas e voltar para o mundo das peles secas de onde veio, e sem delongas oferece os seus conselhos profissionais especializadíssimos para o meu caso, para o teu, e para o dela também. Rita explica que quer um creme. Para a pele. Que está seca. Menina manda sentar numa cadeira com luz, saca da lupa, inspecciona cada milímetro de pele. Pergunta a idade. Está na hora de comprar um creme de noite. E de dia. E um de contorno dos olhos e outro para os lábios.  E olhe que um sérum regenerador também não ia nada mal. Começando a sentir ligeiras comichões entre os dedos, frutos das cantilenas das máximas-de-beleza-ideal-photo-shop-in-a-jar que está a ouvir, Rita levanta-se da cadeira e diz que só quer um creme hidratante. Simples. Barato. Menina volta a perguntar a idade. 29. Já disse. Então é este. No rótulo lê-se anti-age. Eu não quero um anti-age. Mas é por causa das rugas. Eu quero ter rugas. Mas agora é que se começa a prevenir, diz isso porque ainda não tem. Mas eu não as quero prevenir. Eu preocupo-me tanto com rugas como com os melhores sítios para fazer unhas de gel. Quero um creme hidratante. Para a pele seca. Da cara. Simples. Rita abandona a loja e Menina fica a cochichar com a colega da caixa, como se Rita fosse a extra-terreste.  Porque só quer um creme hidratante.

4/26/2014

ralações.

Uma das coisas mais tristes do mundo é ter de enterrar amigos que continuam vivos.
Já não me importa o que eu fui, o que dei ou o que eu pedi das relações noutros períodos.
Quando nos amamos esperamos o mesmo dos outros. Esperamos, sobretudo, verdade.  Fundamentalmente, é tudo uma escolha. As coisas não me acontecem simplesmente. Todos escolhemos ser e fazer o que queremos a cada segundo. Eu posso aceitar e acolher as escolhas alheias, ou então não. E quando escolho não o fazer não significa que esteja a castigar o outro. Significa que me escolho a mim primeiro.

4/25/2014

25 de Abril em Barcelona

Eu nem suspeitava da influência que a nossa revolução teve nos Catalães.
Hoje fomos tomar um café e a televisão passava uma reportagem sobre 'la Revolució dels Clavells'. Todos os clientes atentos, acenavam com a cabeça, comentavam entre si, não se falava noutra coisa. 

Chegada à faculdade, venho à biblioteca e quando dou o meu cartão para levantar um livro a bibliotecária olha para mim e diz: 'hoje é 25 de Abril. Foi um dia muito importante para nós, aqui na Catalunha. Ainda me lembro, era tão pequenina, mas usava t-shirts com cravos que diziam 'depois do adeus' ou Grândola Vila Morena'. Era a nossa forma de protestar. Nós também vivemos uma ditadura e os Portugueses foram muito inspiradores'.
E eu enchi-me de orgulho do meu país. Não do que ele é, não de quem somos hoje, mas daquilo que um dia fomos e, sobretudo, de tudo o que sonhámos vir a ser. E dei por mim a imaginar que, se de repente, todos acordassem e fizessem a derradeira revolução, eu metia-me imediatamente num avião e também ia. Acho que ela leu os meus pensamentos. Sorriu-me. Eu sorri de volta. Guardei o livro na mochila e fui-me embora.



4/23/2014

Diz que é dia do livro

E ontem, durante a minha primeira e última passeata nocturna à beira-mar destas férias com uma das pessoas mais especiais que conheço, fiquei a saber que há muitos, muitos anos, os médicos receitavam contos de fadas para curar algumas maleitas.
E pareceu-me tão bem!


4/22/2014

Kafka e a boneca

Reza a história que Kafka passeava num parque quando encontrou uma menina a chorar. Tinha perdido a sua boneca. Kafka disponibilizou-se para ajudá-la a procurar a boneca e pediu-lhe que voltasse ao mesmo sítio, no dia seguinte.
Quando a menina apareceu, Kafka entregou-lhe um bilhete, dizendo que tinha sido escrito pela boneca:
"Please do not mourn me, I have gone on a trip to see the world. I will write you of my adventures."
E este foi o início de uma história de  mil aventuras vividas por uma boneca que escreveu à sua menina através dele.
Muitas cartas depois, Kafka presenteou a menina com uma boneca nova.
Obviamente era diferente, até porque Kafka nunca havia visto a original.
Esta nova boneca também trazia um bilhete que explicava a mudança no seu aspecto:

"my travels have changed me... "

E a verdade é que as viagens nos mudam. Nos renascem. Nos transformam. Por fora e por dentro.

... Muitos anos depois, esta menina, já mulher, resolveu mudar o enchimento da boneca e encontrou um bilhete dentro dela, que dizia:

"Everything that you love, you will eventually lose, but in the end, love will return in a different form."

E o mais surpreendente é que, mesmo acabando e renascendo, enquanto o houver dentro de nós, o amor também se encontra em toda a parte.



4/14/2014

uma festa de anos

Ontem fomos ao primeiro evento social internacional da Bel: a festa de anos mais latino-americana que já vi, mesmo de filme, com direito a piñata no final e tudo. 
E era vê-la, toda cheia de si, super entusiasmada, a observar, a assimilar, a aprender.

Uma festa de anos do mais multicultural onde já estivemos. Eram cerca de dez crianças, de diferentes países (Paraguay, Nicaragua, Marrocos, Irão, Roménia, China, Espanha, Portugal...) todas a brincar na felicidade que é saberem-se iguais, nem mais nem menos que ninguém por causa das suas origens ou da cor das suas peles.

E foi também por estas experiências que viemos =)



4/11/2014

Oh My Blog - O diário da Pikitim

O diário da Pikitim (http://www.pikitim.com) é um blog sobre viagens, sobre maternidade, sobre o mundo e sobre as pessoas boas que nele vivem. A Luísa, autora e mãe da menina linda que dá nome ao blog, trocou a profissão-sonho de uma vida (jornalista no público) por um outro sonho ainda maior: o de viajar em família. E a aventura começou.
Estiveram em diferentes países, viram culturas distintas, andaram de avião, de barco, de comboio, sempre os três, como se quer.

Conheci a Luísa quando, não sei como nem porquê, encontrou o meu blog e me perguntou se queria participar numa rubrica chamada Família Vagamundos para fazer um roteiro child friendly sobre Barcelona com crianças e também falar um pouco da vida por aqui (para ler clica aqui).
Foi muito, muito divertido e os testemunhos das outras famílias sobre diversas cidades por esse mundo fora já me deixaram a sonhar!

Para as pessoas que acham um drama complicadíssimo viajar com crianças, este blog pode ser um grande ponto de partida. Descomplica as nossas percepções logísticas e reaviva o sonho de sermos unos com o mundo que nos rodeia, sem fronteiras de qualquer espécie.
Para as que não têm esse problema, aviso que este blog pode ser perigoso ao despertar o Indiana Jones racalcado que há em nós.
Então já sabem: mochila às costas rumo ao Diário da Pikitim. No mínimo, inspirador.



Nome: Luísa Pinto


Profissão: Jornalista








De que trata o teu blog?

O meu blog - Diário da Pikitim- foca um tema muito específico. Fala de viagens com crianças. Começou por ser o sitio onde eu publicava as crónicas que fazia durante uma viagem à volta do mundo que fizemos em 2012. Quando saímos de Portugal, eu e o Filipe, ambos jornalistas, ambos apaixonados por viagens, tínhamos assumido com o Fugas - o suplemento semanal de viagens do Publico - que iríamos contar nessas crónicas como era o mundo visto pelos olhos de uma criança, a nossa filha, a Pikitim, então com quatro anos.
Propusemo-nos a escrever essas crónicas não com dicas de viagens ou com relatos muito circunstanciados dos destinos, mas textos com o relato das perguntas que ela fez, das interacções, dos medos, dos avanços, das incompreensões e das aprendizagens.
Já regressamos dessa grande viagem há quase um ano. Agora o blog tem sido palco para revelar outras viagens, de outra famílias, e para dar algumas dicas a quem se queira aventurar na estrada - não precisa de ser uma volta ao mundo, nem viagens de longa duração. Ás vezes podemos viajar no quintal  - o que interessa é incutir nas crianças esta temática da tolerância e da diversidade, de um mundo que é cada vez mais global, mas que precisa de continuar a respeitar as diferenças.

Qual é a tua maior motivação para o manteres?
É mesmo essa: a de partilhar a nossa experiência e com ela ter a oportunidade de conhecer outras , sejam elas parecidas ou muito diferentes. mantenho-o porque acho que ainda ficou muita coisa por contar, mesmo da nossa grande viagem. Por exemplo, escrever as tais dicas sobre os sítios que conhecemos, e pretendo, também continuar a publicar os desenhos do Diário da Pikitim. Sim, que o Diário dela, da Pikitim, o nickname da Inês (e que detesta que a chame assim, porque esse é o nome de bebé, e ela já não é bebé…) existe mesmo. E tem sido uma delícia voltar a abri-lo, a rever os desenhos. E tem sido  emocionante ver como ela guardou as suas memórias, como as tem gravadas de uma forma tão vívida, e como as reproduz, olhando para os desenhos que fez há um anos atrás. 

Já sentiste obstáculos ou algum ponto menos positivo nesta aventura de ter um blog?

Nunca senti nada. Pelo contrario. Tenho conhecido pessoas muito interessantes a que eu dificilmente teria chegado sem ser por este universo. Acordei para este mundo da blogosgfera há muito pouco tempo. ainda não encaro o blog como o meu diário pessoal - continuo a ter algumas dificuldades em me expor. Esse equilíbrio, do que exponho e do que revelo tem sido a minha maior dificuldade. Isso e a falta de tempo para me dedicar a ele como gostaria - para isso, precisava de o rentabilizar.

O que aconselharias a alguém que está a começar um blog?

Depende do que pretender fazer com ele. Se estiver a pensar em fazer do blog um negocio é preciso escrever muito e bem, acertar nos temas, nas parcerias. É um full-time job; e só para algumas pessoas é que é um job bem remunerado. Mas se intenção é apenas, e de facto, fazer dele um “diário”, o nosso diário, podemos ser tudo. O que queremos, o que sonhamos, o que não queremos. Acho que só teremos de ser honestos, e coerentes. Para nos revermos sempre no que ali deixamos.

Vale a pena ter um blog?

Sim, claro. Pelas pessoas que conhecemos. Pelo registo que ali fica e onde sabe sempre bem voltar.




4/08/2014

oh diabo!

Hoje diziam-me isto, as estatísticas do meu blog:  

Páginas vistas por países

Gráfico de los países más populares entre los lectores del blog
EntradaPáginas vistas
China
320
Estados Unidos
257
Portugal
109
España
35
Brasil
12
Países Bajos
10
Alemania
9
Rusia
6
Francia
5

Eu juro que não percebo esta súbita invasão chinesa ao meu estaminé, mas aviso já, de mão no peito, que não o privatizarei!

 

4/07/2014

ter um blog para quê?

Ás vezes ponho em questão isto de ter um blog. Para quê? Por quê? Para quem? Acho que ningém sabe responder a isto. Há dias em que tenho coisas que quero partilhar com todos, um poema que encontrei por aí, a beleza destes recantos, uma foto, uma história. Há outros dias em que escrevo porque acredito que verbalizando as coisas ganham poder, dentro e fora de nós. E há dias em que não sei, e então não escrevo.
São os dias em que penso qualquer coisa como 'porque-raio-andas-tu-a-perder-tempo-com-coisas-que-não-te-trazem-retorno?'.
Mas traz. A verdade é que traz. Não é dinheiro, não são as férias no Hawai, não são ténis de marca que se publicitam omissamente. É uma sensação de plenitude que não tem igual quando alguém te diz que ficou com vontade de ter filhos, ao fim de trinta e tal anos de vida, porque percebeu que dão mais do que só trabalho através do que tu escreves. E isso paga mil blogs. Ou mesmo um milhão.

E esta situação fez-me pensar que sempre que se escreve, seja num blog, no facebook ou nas paredes, as nossas mensagens influenciam sempre alguém. Ainda que de forma subtil, sem que o saibamos, temos um poder grande sobre os outros (e eles em nós).
Somos como células num mesmo corpo. O que enviamos molda o que nos rodeia e volta para nós. Que se escreva amor. Que se enviem coisas boas. E quando elas não estiverem dentro de nós, que se guardem as canetas.