Estou a chegar aos 30. Faltam 2 dias. Durante os meus 20 anos muitas vezes me perguntei como me sentiria hoje, em vésperas de ser trintona.
A verdade é que me sinto eu. Não me sinto cansada, abatida, frouxa ou descaída. Mentalmente falando, nunca estive tão tonificada e sintonizada com aquilo a que chamam "a nossa essência".
Agora, sejamos sinceras. Se dá uns arrepios na espinha, pensar que se abandona os 20 para sempre? Dá.
Se mete medo pensar que o mercado de trabalho é mais complicado aos 30 (sobretudo quando se é mulher e mãe)? Mete.
Se se tem vontade de adiar a trintandade mais uns anos até ter a vidinha toda organizada? Tem-se.
Mas depois olho para trás e penso que já vivi muito, caramba. Já vivi mais do que alguma vez imaginaria viver em 30 anos.
Amei, desamei, desafiei-me, fiz uma mão cheia de amigos para sempre, fortaleci laços com a família que acabaram por me fortalecer a mim, perdi pessoas que julgava impossível viver sem, fiz disparates, muitos, fiz coisas boas, muitas, aprendi lições, bastantes, vivi em três países, plantei flores, perdi o medo do desconhecido, em tempos adoptei uma cadela e 5 gatos, tive uma filha, casei, deixei de comer carne, voltei a comer carne, compus uma canção, desisti de ir ao ginásio dezenas de vezes e roguei-me pragas pelo dinheiro mal gasto nas inscrições; pintei quadros, percebi que gosto é de arte mas estou a acabar um doutoramento em gestão, aceitei que posso fazer coisas diferentes daquelas que pulsam em mim, questionei-me e à vida que criei, aprendi a viver longe das pessoas que me são queridas, aprendi a distinguir entre as pessoas que me regam das que me tapam o sol, quis crescer e ser mais inteira, entendi que tudo o que me acontece reflecte as minhas crenças sobre o mundo e então decidi, por via das dúvidas, acreditar que o mundo é um lugar bonito e seguro. Até agora tem resultado.
Venham mais trinta.
12/26/2014
12/16/2014
12/14/2014
a morte aos olhos dela
I. a tentar perceber o que é a morte (na sequência dos pré-finais trágicos de quase todas as princesas):
I.- Mas a princesa morre e acaba-se?....
Morrer é acabar? Fecha os olhos?
... Então não há "depois"?
I.- Mas a princesa morre e acaba-se?....
Morrer é acabar? Fecha os olhos?
... Então não há "depois"?
12/13/2014
12/05/2014
12/04/2014
Sobre a magia que não há no mundo explicada às crianças.
"Dad? There's no, like, real magic in the world, right?"
"What do you mean?"
"You know, like elves and stuff. People just made that up."
"Oh, I don't know. I mean, what makes you think that elves are any more magical than something like a whale? You know what I mean? What if I told you a story about how underneath the ocean, there was this giant sea mammal that used sonar and sang songs and it was so big that its heart was the size of a car and you could crawl through the arteries? I mean, you'd think that was pretty magical, right?"
"Yeah. But, like, right this second, there's, like, no elves in the world, right?"
"No. Technically, no elves."
Do maravilhoso filme Boyhood, de Richard Linklater.
"What do you mean?"
"You know, like elves and stuff. People just made that up."
"Oh, I don't know. I mean, what makes you think that elves are any more magical than something like a whale? You know what I mean? What if I told you a story about how underneath the ocean, there was this giant sea mammal that used sonar and sang songs and it was so big that its heart was the size of a car and you could crawl through the arteries? I mean, you'd think that was pretty magical, right?"
"Yeah. But, like, right this second, there's, like, no elves in the world, right?"
"No. Technically, no elves."
Do maravilhoso filme Boyhood, de Richard Linklater.
12/03/2014
12/02/2014
Quem eram eles, antes de ser estrelas?
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| o que era penteado pela mãe, I |
![]() |
| a versão feminina do "curious case of Benjamin Button" |
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| a enjoada |
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| o que era penteado pela mãe, II |
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| a que dava classes de etiqueta |
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| a menina do coro |
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| a pobre a quem ninguém avisou que caracóis e franja são uma relação de risco |
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| os que diziam mal dos políticos |
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| a das claques |
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| a das passas atrás do pavilhão |
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| a que decidiu ter mais espaço entre as sobrancelhas do que toda a gente |
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| O... errgghh.. Michael Jackson? |
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| o exorcista |
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| o coveiro
imagens alegremente roubadas daqui
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12/01/2014
Começar o dia com poesia
O casamento dos pequenos burgueses
Chico Buarque (da ópera do malandro)
Ele faz o noivo correto
E ela faz que quase desmaia
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a casa caia
Até que a casa caia
Ele é o empregado discreto
Ela engoma o seu colarinho
Vão viver sob o mesmo teto
Até explodir o ninho
Até explodir o ninho
Ele faz o macho irrequito
E ela faz crianças de monte
Vão viver sob o mesmo teto
Até secar a fonte
Até secar a fonte
Ele é o funcionário completo
E ela aprende a fazer suspiros
Vão viver sob o mesmo teto
Até trocarem tiros
Até trocarem tiros
Ele tem um caso secreto
Ela diz que não sai dos trilhos
Vão viver sob o mesmo teto
Até casarem os filhos
Até casarem os filhos
Ele fala de cianureto
E ela sonha com formicida
Vão viver sob o mesmo teto
Até que alguém decida
Até que alguém decida
Ele tem um velho projeto
Ela tem um monte de estrias
Vão viver sob o mesmo teto
Até o fim dos dias
Até o fim dos dias
Ele às vezes cede um afeto
Ela só se despe no escuro
Vão viver sob o mesmo teto
Até um breve futuro
Até um breve futuro
Ela esquenta a papa do neto
E ele quase que fez fortuna
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a morte os una
Até que a morte os una.
E ela faz que quase desmaia
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a casa caia
Até que a casa caia
Ele é o empregado discreto
Ela engoma o seu colarinho
Vão viver sob o mesmo teto
Até explodir o ninho
Até explodir o ninho
Ele faz o macho irrequito
E ela faz crianças de monte
Vão viver sob o mesmo teto
Até secar a fonte
Até secar a fonte
Ele é o funcionário completo
E ela aprende a fazer suspiros
Vão viver sob o mesmo teto
Até trocarem tiros
Até trocarem tiros
Ele tem um caso secreto
Ela diz que não sai dos trilhos
Vão viver sob o mesmo teto
Até casarem os filhos
Até casarem os filhos
Ele fala de cianureto
E ela sonha com formicida
Vão viver sob o mesmo teto
Até que alguém decida
Até que alguém decida
Ele tem um velho projeto
Ela tem um monte de estrias
Vão viver sob o mesmo teto
Até o fim dos dias
Até o fim dos dias
Ele às vezes cede um afeto
Ela só se despe no escuro
Vão viver sob o mesmo teto
Até um breve futuro
Até um breve futuro
Ela esquenta a papa do neto
E ele quase que fez fortuna
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a morte os una
Até que a morte os una.
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