10/29/2013

era uma vez uma diva, #7

Nova mania: acessórios.
Uma mania engraçada sobretudo quando quer óculos de sol para ir jantar, um colar de flores havaianas para ir para a creche ou calças na cabeça a fazer de orelhas. Tudo bem. Sê criativa e enfeita-te. A mãe aprova. O que importa é que estejas feliz.
O dark side é quando vê os meus acessórios e os quer. Exige.
São uns fashion cravings quaisquer que lhe andam a dar todas as manhãs, no elevador.
Hoje foi o meu cachecol, amanhã o que será?





10/28/2013

estranhos

Fotos antigas num mercado de antiguidades.
Imagens com gente dentro, com vidas de outros tempos.
Outras classes e outros costumes. Outras épocas.
Eu podia passar horas a ver fotos antigas de estranhos.
São viagens gratuitas e privilegiadas.
É ir num pé e vir no outro até um tempo que existiu quando ainda eu não era gente.







10/24/2013

hoje não.

Chateia-me, irrita-me e entristece-me profundamente:

Sair de Portugal e estar a pagar facturas mensais de 50 euros por uma electricidade que não uso.
Ter de mudar o catalisador do carro por um alegado consumo de gasolina low cost que nunca pus (diz o mecânico, em portugal)
Pagar a uma senhora para ir 'arejar' a casa mensalmente e a casa estar sempre fechada (em portugal)
Receber contas da optimus com valores injustificados para quem tem o telemóvel desligado (em portugal)
E a lista continua...

Portugal rouba-me até à distância.

É um país que eu amo mas que me suga as energias até ao tutano.
E não, a culpa não é do país. A culpa é deste sistema corrupto que se instalou que começa nas grandes corporações e termina na raia miúda, que acha que tem de enganar os outros para pôr o pão na mesa.

A culpa não é só dos políticos, a culpa não é só dos bancos.
A culpa começa e acaba em todos aqueles que se apropriam dos bens alheios para alargar a sua propriedade pessoal.
Eu e Portugal estamos zangados.
Eu ou ele, um dos dois vai ter de mudar... Que isto as boas relações crescem da confiança mútua. 
E eu detesto que me mexam nos bolsos. Manias minhas...



10/22/2013

quando as paredes confessam, #3

Se a tua lã já não te basta...
Compra carneirada, compra!

O que importa é estar bonito.

E enquanto os carneiros contam sacos, eles contam os lucros.

10/21/2013

Um sumo improvável

Deu-me para aqui, podia ter sido pior. É daquelas descobertas que resultam de restos disto e sobras daquilo. O resultado foi inesperado. Uma combinação de gostos e texturas improváveis que, afinal, se misturam muito bem.

Do que precisam:

2 kiwis maduros
1 laranja
Raspa de uma lima
Meio copo de 7up
Meio copo de água

Misturar a fruta com a raspa de lima e meio copo de água no liquidificador.
Só quando estiver em sumo é q se mistura a 7 up. Juntar uma pedra de gelo, ligar um bom jazz e brindar à natureza.



10/19/2013

Castanyada

Afinal por aqui também há castanhas assadas.
As principais diferenças são: aqui não se vendem em carrinhos, mas em quiosques; aqui custam metade do preço das castanhas em Portugal e, quem as vende, também vende batata doce assada.
É outra tradição desta estação.
Para mim, que adoro as duas, é hora de dizer:
- Olá outono, olá frio, olá reconforto, olá hidratos! A felicidade também se vende às dúzias.





10/18/2013

frango com pak-choi

Pak-choi é uma couve chinesa óptima cada vez mais fácil de encontrar.
Para um jantar fácil, rápido e saudável, seguir estes passos (sem medidas, tudo a olho)

1.Deitar um pouco de óleo de sésamo na frigideira, juntar allho e gengibre picado a gosto.

2. Quando o alho e o gengibre começarem a cozinhar, juntar o frango e o sumo de um limão.
Sal e pimenta.

3. Quando o frango estiver cozinhado juntar o pak-choi e outros legumes que se queira (ex: cogumelos, pimento vermelho, milho...). Tapar enquanto se cozinha o acompanhamento (ex: arroz branco ou noodles) para que os vegetais cozam no vapor.

1..2..3...4... frango com pak-choi.... Done!





Ainda não foi desta que me tornei vegetariana :)

10/17/2013

Yoga - método Bel

Quando engravidei decidi imediatamente que uma das actividades que gostaria que ela experimentasse era o yoga.
Porque eu gosto, porque me relaxa e ajuda a voltar às raízes.
Ainda experimentámos uma aula de yoga para bebés, teria a Bel uns seis meses, mas a minha diva nunca foi de fazer nada com hora marcada. Fica para mais tarde, pensei eu.

A verdade é que pouco depois apercebi-me que não precisava de levá-la a fazer yoga, porque ela já fazia, naturalmente.

Desde que começou a arrastar-se que a posição da cobra é uma constante, desde que ganhou força no tronco que se senta em posição de lotus, e desde que anda que o estiramento do gato é das suas favoritas. Quando quer e onde quer.

Dizem que o yoga surgiu da observação das posições naturais dos animais e plantas. Eu acredito piamente que, dentro de nós, temos informação inconsciente sobre como estar e o que fazer ao nosso corpo em cada situação. Tal como aconteceu quando a Bel nasceu. É uma sabedoria universal e comum às espécies, aquele tipo de informação que reside no nosso cortex posterior e que, com o passar do tempo, vai sendo substituída por outra menos importante.

Ela pratica yoga, instintivamente. E quando se esquecer, se quiser, vamos às aulas.


 


10/16/2013

O nosso livro

Este livro deu-nos o pai. Às duas. Ela adora-o e eu também.
Coração de Mãe, da Planeta Tangerina.






10/14/2013

quando as paredes confessam, #2

Ás vezes pergunto-me como é que numa sociedade civilizada e a transbordar de opções ainda se colocam questões como esta.

O inverno está a bater à porta. Na nossa casa, a crueldade fica do lado de fora.



10/13/2013

comunidade à mão de semear.

No meio de um quarteirão cheio de prédios há uma rua, que podia ser só uma rua de passagem, sub-aproveitada como tantas outras. Mas nesta não. Os vizinhos juntaram-se e construiram um pedaço de campo mesmo no centro da cidade. Um pouco de terra, sementes, água e boa-vontade. Comunidade, uma vez mais. E o resto cresce por si. 





10/11/2013

Quando as paredes confessam, #1

Barcelona está cheia de reivindicações. De mensagens. De lutas.
São pessoas com vontade. Com opiniões. Com tomates (seja lá o que isso for).

E eu vou começar a partilhar aqui convosco as mensagens e imagens que me fizerem sentido.
O próximo passo é ir eu pintar paredes :-)






10/09/2013

truques simples para reconhecer um bom pai, #1

Sabes que, provavelmente, tens um dos melhores pais do mundo quando a meio de um dia de trabalho intenso recebes no mail um auto-retrato igual a este.

E é nessa altura que percebes como a vida está a mudar.

Há 20 anos atrás era eu que interrompia o dia de trabalho dele com caretas semelhantes.



(para que fique claro o meu pai é bem bonito e não tem a cara amarfanhada como esta. 
Anda é a descobrir truques malucos no ipad).





10/08/2013

Ler sinais

Podia dizer que aos 23 meses a minha filha já percebe o mundo. Entende as mensagens. Lê os sinais.

Mas não...


... No fundo eu penso é que a minha filha é uma macaca que interpreta os sinais do mundo como melhor lhe convém.


E faz ela muito bem.

10/07/2013

Parque infantil comunitário

Ideia para os pais de Portugal:
A câmara cede o espaço, um terreno com uma cerca e uma casinha para guardar as tralhas.
Os pais e as crianças fazem o resto. Não há balouços pregados ao chão. Há brinquedos móveis, cozinhas improvisadas, baldes, regadores, mangueiras. Há poças de água e crianças nuas a chapinhar. Há brincadeiras naturais, descoberta, interacção, comunicação, reciclagem, reutilização.
Há um sentimento de comunidade. Os pais também brincam. As mães amamentam. Tudo ao ritmo das crianças.
Às seis o parque fecha. Todos sem excepção ajudam e arrumam os brinquedos na tal casinha.
Uma voluntária fica com a chave. Esta semana és tu, para a semana sou eu.
As crianças lavam-se, vestem-se, os pais despedem-se. Amanhã o ciclo recomeça.

(Este parque ideal existe. Descobrimo-lo no centro de Barcelona, no parque da cidadela, perto do arco do triunfo.)


10/04/2013

passar de cavalo para burro

Se há dois meses atrás eu olhasse para mim hoje, diria qualquer coisa como ...
'olha para aquilo, coitada, passou de cavalo para burro'.

Não temos televisão, coitados de nós, temos de arranjar estratégias familiares como conversar sobre a vida, fazer legos com a nossa filha ou ler livros para passar o serão.
E o carro que ficou em Portugal? Um sacrilégio... que fazer ao dinheiro que se poupa em parques, gasolina, inspecções e seguros? Que fazer ao tempo que passamos juntos no autocarro a ver as paisagens ou no metro a dançar enquanto ouvimos os músicos logo de manha? Uma tragédia!
Se eu me visse assim, num T0 onde mais do que nunca estamos próximos, sem tralha que não faz falta, a viver com o conteúdo de duas malas de viagem, sem televisão (esse monstro que nos come os dois sentidos fundamentais à comunicação), sem carro e a usar as pernas e a cabeça mais que nunca, achava que não podia ser.
Que uma pessoa não se torna adulta, passa a ganhar o seu dinheiro e a adquirir bens materiais para depois acabar num país estrangeiro assim, ao deus dará. 
Se dará ou não dará não sei. Sei que ter uma mão à frente e outra atrás é sinal de que as temos livres para as dar a quem quisermos e que nem por um segundo acho que estou a regredir. Antes pelo contrário. Estou cada vez mais próxima da minha essência e do que me faz feliz.
Só me faz falta a bicicleta.
O resto... é conversa da treta e Co2.

















10/03/2013

afinal o que importa é não ter medo


Começar o dia com poesia. 

 
Pastelaria 
 
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
 
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
 
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
 
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
 
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
 
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
 
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
 
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
 
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Mário Cesariny (1923-1926)
 
De vez em quando releio este poema. Preciso dele. Gosto dele. E agora, vou até lá fora rir de tudo =)



10/02/2013

uma adolescência prévia

 Caraças. Eu só estava à espera desta fase daqui a uns treze, catorze anos. Uma adolescência prévia é o que os dois anos são. E não me digam o contrário.
É estar no limbo entre ser-se bebé e criança, como na adolescência se é uma mistura estranha entre uma cabeça de criança e um corpo de adulto.
É querer experimentar o mundo inteiro sem se poder. É querer fazer só o que lhes dá na real gana. É querer sair de casa quando já se devia estar na cama. É querer mandar na vida própria e na vida alheia e ter sempre o não como primeira e última palavra. É fazer cenas no meio da rua. É querer vestir combinações estranhas e deixar o quarto num vendaval americano.
A minha filha entrou na idade do armário mas para o seu tamanho uma gaveta já chegava.
E estas são as tais coisas que não te ensinam nos livros.

10/01/2013

era uma vez uma diva, #6

Era uma vez uma diva...

Que era tão diva, tão diva, tão diva que... bem, nem é preciso dizer mais nada...